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“A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas como dignas e encaradas com piedoso respeito. Fez do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio seus servidores assalariados. A burguesia não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. E isto se refere tanto à produção material como à produção intelectual.”

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. Trad. Manifesto Álvaro Pina e Ivana Jinkings. São Paulo: Boitempo, 2010., p. 42s (Adaptado).

A compreensão da produção intelectual é parte considerável da teoria marxista da reprodução social, sendo inalienável da reflexão da Teoria Crítica. A produção artística, nesse sentido, não passa despercebida. Diante disso, é correto afirmar que
“Corre à boca pequena que Lilith, após assaltar o paraíso, vive em todos os lugares, em todos os espíritos livres e em todos os sonhos de liberdade. Lilith é a festa que não dorme nos céus, na terra e nos infernos, o que seria alegria de viver o que é DEUS.”

BRAGA, Eduardo Nobre. O fascismo para além da circunscrição ética. 2018. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Curso de Mestrado Acadêmico em Filosofia, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2018., p. 34. (Adaptado).

Eduardo Braga apresenta uma alegoria da liberdade em seu texto, onde subjaz uma compreensão marxista da divisão do trabalho masculino e feminino. Lilith, a primeira mulher na Kabbalah judaica, que vinda do pó como Adão, não se submeteu ao domínio patriarcal e se rebelou, simboliza, nessa proposta narrativa, a liberdade. Com base nessa alegoria, assinale a afirmação verdadeira.
Sobre a Guerra Civil que levou à decapitação do Rei Charles (o primeiro do seu nome) e o início da República da Inglaterra, Thomas Hobbes (1588-1679) afirma: “se aqueles soldados e todos os súditos tivessem agido sob o comando de Sua Majestade, a paz e a felicidade deixadas pelo Rei James teriam permanecido. Mas o povo estava corrompido, e os desobedientes eram considerados os melhores patriotas. Mas como o povo se corrompeu tanto? E que tipo de pessoas eram aquelas que os seduziram assim? Os sedutores eram de diversos tipos. Uns eram ministros de Cristo, como se autodenominavam; e, às vezes, em seus sermões ao povo, embaixadores de Deus; fingindo ter o direito, concedido por Deus, de governar cada um a sua paróquia, a sua assembleia e a nação inteira”.

HOBBES, Thomas. Behemoth. In: Thomas Hobbes. The english work of Thomas Hobbes. Vol. VI. London: John Bohn, 1840., p. 166s. (Adaptado).

Sobre a relação da vontade pública e a retórica do patriotismo e do uso de Deus no discurso político, é correto afirmar que
“Como os laços tradicionais dos nativos constituem a muralha mais forte de sua organização social e a base de suas condições materiais de existência, o método inicial do capital é a destruição e o aniquilamento sistemáticos das estruturas sociais não capitalistas, com que tropeça em sua expansão. Cada nova expansão colonial é acompanhada, naturalmente, dessa luta encarniçada do capital contra a situação social e econômica dos nativos. O capital só conhece, como solução para esse problema, o uso da violência, que constitui um método permanente da acumulação de capital no processo histórico, desde sua origem até os nossos dias. Mas, para as sociedades arcaicas, trata-se de uma questão de vida ou morte, e como não há outra saída, resiste e luta até o seu total esgotamento ou extinção.”

LUXEMBURGO, Rosa. A acumulação do capital. Trad. Luiz Alberto Moniz Bandeira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021., p. 367s. (Adaptado).

Sobre a perspectiva de Rosa Luxemburgo (1871-1919), é correto dizer que
Atente para o seguinte trecho da canção Alucinação do cantor e compositor cearense Belchior (1946-2017):

Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do Oriente, romances astrais
A minha alucinação é suportar o dia a dia
E meu delírio é a experiência com coisas reais

Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite, revólver, cheira a cachorro
Os humilhados do parque com os seus jornais

Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia, nem no algo mais
Longe, o profeta do terror que a Laranja Mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas me interessa mais

BELCHIOR. Alucinação, álbum Alucinação. Rio de Janeiro: PolyGram, 1976.

Essas três quadras da canção Alucinação apresentam uma compreensão “micrológica”, ou seja, uma metafísica que parte das coisas pequenas, ordinárias e cotidianas. Trata-se de um entendimento materialista que se desenvolve dentro da Teoria Crítica. Com base nisso, é correto afirmar que