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Durante toda a Antiguidade, o Egito continuará sendo a terra clássica a que os povos chegarão em peregrinação para haurir nas fontes dos mais antigos conhecimentos científicos, religiosos, morais, sociais que os homens adquiriram. É assim que em toda a área circundante do Mediterrâneo edificaram-se sucessivamente novas civilizações que evoluíram sobretudo para um desenvolvimento material e técnico; evolução em cuja origem deve-se situar, de um lado, o gênio egípcio e, de outro, o gênio materialista dos indo-europeus: gregos e romanos.
DIOP, C. A. Nações negras e culturas. Petrópolis: Vozes, 2025 (adaptado).

O Mediterrâneo, enquanto espaço de trocas civilizacionais na Antiguidade, não conhecia fronteiras entre Europa, Ásia e África, resultando em influências multifatoriais que refutam um olhar eurocêntrico sobre a história. Considerando o recorte abordado, pode-se afirmar que
O estudo contemporâneo da Antiguidade ultrapassa classificações que apresentam sociedades antigas como unidades homogêneas organizadas segundo um percurso evolutivo comum.
Investigações sobre economia, poder, religião, gênero, etnicidade e cultura material permitem examinar relações sociais específicas e transformações ocorridas em diferentes espaços.
Considerando essa perspectiva, examine as afirmações seguintes.

I.As sociedades antigas apresentaram formas diversas de estratificação e organização política relacionadas às condições históricas de cada contexto.
II.A utilização de fontes escritas e materiais permite investigar dimensões distintas das relações sociais estabelecidas nas sociedades antigas.
III.A formação das cidades produziu estruturas políticas equivalentes entre sociedades antigas que alcançaram níveis semelhantes de especialização econômica.
IV.As relações entre poder e religião podem assumir configurações distintas conforme instituições, práticas e representações existentes em cada sociedade.
V.A presença da escravidão permite classificar as sociedades antigas segundo um mesmo modelo de organização econômica e de hierarquia social.

Está CORRETO o que se afirma em:
Em A enxada e a lança: a África antes dos portugueses, Alberto da Costa e Silva afirma que o Egito, para além de uma região de convergência entre Mediterrâneo, África e Ásia, ou seja, “uma esquina do mundo”, é, antes de tudo, uma “esquina da África”. Tomando por base essa afirmação, e os conhecimentos sobre a história do Egito Antigo, podemos afirmar que 
Na tradição marxista, a análise das formações sociais do Oriente Próximo exige cautela quanto à aplicação direta das categorias desenvolvidas a partir do mundo clássico. Nessas sociedades, a extração do excedente frequentemente se articulava a formas de dominação política centralizada, nas quais o Estado desempenhava papel decisivo na organização do trabalho e no controle dos recursos.

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento marxista. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. Adaptado.

Considere que durante um seminário acadêmico, quatro interpretações foram apresentadas sobre as sociedades mesopotâmicas:

I. A existência de excedente econômico e de coerção sobre os produtores diretos é suficiente para classificá-las como sociedades escravistas, independentemente das formas históricas específicas de organização da produção.
II. A centralização estatal na organização do trabalho e na apropriação do excedente permite identificar formas de exploração associadas ao chamado modo de produção asiático.
III. A ausência de propriedade privada amplamente disseminada impede a caracterização de relações estruturadas de exploração social.
IV. A presença de formas de dependência pessoal e de trabalho compulsório autoriza a identificação de elementos de exploração.

À luz do materialismo histórico e da análise teoricamente apropriada dessas interpretações, a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas é: