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“Kant afirma que para que uma ação tenha um conteúdo moral, é necessário que ela atenda a dois critérios que são precisamente os critérios do a priori prático. Em primeiro lugar, é necessário que ela siga uma regra puramente formal, essa regra funciona como uma espécie de molde que se impõe sobre os conteúdos materiais da ação, conferindo-lhes seu caráter moral. Em segundo lugar, é necessário que ela seja motivada unicamente pelo conhecimento e pelo respeito que todos os seres racionais deveriam ter por essa forma de universalidade da ação. Desse modo, poderia se dizer da ação que ela adquire caráter universal e necessário. Kant admite que a ação moralmente correta possua alguma materialidade, mas não é o desejo por essa materialidade que deve motivar a ação, mas sim a conformidade ou o acordo da mesma com a forma da universalidade.” (DIAS, O. A Crítica de M. Scheler ao Formalismo na Ética de I. Kant. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: UFRJ, 2017. p. 17. Destaque nosso.)


Sobre o sentido da palavra “conformidade” no trecho citado, assinale a alternativa correta.

O que o Antropoceno põe em cheque, justamente, é a própria noção de anthropos, de um sujeito universal (espécie, mas também classe ou multidão) capaz de agir como um só povo. A situação propriamente etnopolítica do “humano” como multiplicidade intensiva e extensiva de povos deve ser reconhecida como implicada diretamente na crise do Antropoceno. Se não existe um interesse universal humano positivo, é porque existe uma diversidade de alinhamentos políticos dos diversos povos ou “culturas” mundiais com muitos outros actantes e povos não humanos (formando o que Latour chama de “coletivos”) contra os autointitulados porta-vozes do Universal. (DANOWSKI; CASTRO, 2014, p. 121, grifos dos autores)


DANOWSKI, D.; CASTRO, E. V. Humanos e terranos na terra de Gaia.

In: Há mundo por vir? - ensaio sobre os medos e os fins. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2014.


De acordo com o texto, 

Nós também definíamos a moralidade por essa adesão a si, e é por isso que dizemos que o homem não pode positivamente optar entre a negação e a assunção de sua liberdade, pois uma vez que ele opta, assume; ele não pode querer positivamente não ser livre, pois uma tal vontade se destruiria a si mesma. Ocorre apenas que, à diferença de Kant, o homem não nos aparece como sendo essencialmente uma vontade positiva: ao contrário, ele se define primeiramente como negatividade; ele está primeiramente à distância de si mesmo, ele só pode coincidir consigo se aceitar não reunir-se jamais a si mesmo. (BEAUVOIR, 2005, p. 33) 


BEAUVOIR, S. Por uma moral da ambiguidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.


Com base na leitura do texto, é correto afirmar que 

"O totalitarismo não é um fato acidental. Não é 'nenhuma ameaça de fora, nenhuma consequência de alguma política exterior agressiva da Alemanha ou da Rússia'. Não é simplesmente o resultado de líderes carismáticos chamados Hitler e Stalin [...] O totalitarismo está enraizado nos 'verdadeiros problemas de nosso tempo'. [...] Os problemas do nosso século — os problemas do atomismo, da falta de moradia, do desenraizamento e da solidão — criam massas de pessoas que acham a anomia da realidade insuportável e anseiam por um mundo ficcional melhor [...]"
(BERKOWITZ, Roger. Solidão total: Hannah Arendt e os fundamentos do totalitarismo. Cadernos Arendt, v. 2, n. 3, p. 113, 2021.)
A partir do texto, assinale a alternativa correta:

Leia o excerto a seguir:


"O homem nada mais é do que aquilo que faz de si mesmo. Tal é o primeiro princípio do existencialismo. É também o que se chama subjetividade, e é isso que nos acusam sob esse mesmo nome. Mas o que queremos dizer com isso senão que o homem tem uma dignidade maior do que uma pedra ou uma mesa? Pois queremos dizer que o homem começa por existir, encontra-se, surge no mundo, e só depois se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, se não é definível, é porque, no começo, ele não é nada. Ele só será depois, e será aquilo que fizer de si mesmo." 


(SARTRE, J.-P. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural. Adaptado.)


A partir do excerto e considerando o conceito de "liberdade" em Sartre, analise as afirmativas a seguir:


I.A "liberdade", em Sartre, implica que o ser humano está condenado a construir a si mesmo por meio de suas escolhas, não possuindo uma essência pré-determinada.


II.A singularidade humana decorre da estrutura do "ser-para-si", que se caracteriza pela transcendência em relação à facticidade e pela abertura às possibilidades.


III.A condição humana, em Sartre, implica responsabilidade radical, uma vez que, ao escolher a si mesmo, o indivíduo projeta uma imagem de humanidade, conferindo dimensão ética à "liberdade".


É correto o que se afirma em: