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Uma vaca leiteira, holandesa, 5 anos, multipara, foi atendida em emergência com prolapso retal completo. O proprietário relata que a vaca apresentou esforço excessivo durante a defecação há aproximadamente 4 horas, resultando em prolapso de aproximadamente 60 cm de reto. A vaca apresenta sinais clínicos severos: mucosas pálidas e secas, frequência cardíaca de 110 bpm, frequência respiratória de 40 irpm, tempo de preenchimento capilar de 3 segundos, temperatura retal de 36,8°C. O exame do prolapso revela edema severo, descolorado roxo-escura com áreas de necrose e presença de contaminação fecal. O veterinário suspeita de choque hipovolêmico secundário ao prolapso retal, com possível comprometimento hemodinâmico severo. A vaca apresenta hematócrito de 48% (referência: 24-46%), proteína plasmática total de 8,2 g/dL (referência: 6,0-7,5 g/dL), indicando hemoconcentração severa. Considerando os desafios hemodinâmicos, fluidoterapia apropriada, uso de cristaloides e coloides em grandes animais, analise as seguintes afirmativas, julgando se verdadeiras (V) ou falsas (F): 

l. O prolapso retal em vacas é uma emergência cirúrgica que resulta em perda significativa de fluidos corporais através da superfície mucosa edemaciada e necrótica do reto prolapsado. A hemoconcentração observada (hematócrito 48%, proteína plasmática total 8,2 g/dL) indica perda de fluidos corporais com retenção relativa de células sanguíneas e proteínas, resultando em choque hipovolêmico. A fluidoterapia deve ser iniciada imediatamente com cristaloides (solução de Ringer lactato) em bolus de 20-40 mL/kg IV durante 15-30 minutos, seguida de manutenção contínua, com objetivo de restaurar perfusão tecidual e normalizar parâmetros hemodinâmicos.
II. Em caso de choque hipovolêmico severo como o apresentado, o uso de coloides (albumina, dextrana, gelatina, plasma) é contraindicado em grandes animais, pois estes medicamentos aumentam significativamente a pressão oncótica intravascular, causando extravasamento de fluido para o interstício e piora do edema. Portanto a fluidoterapia deve ser baseada exclusivamente em cristaloides, evitando completamente o uso de qualquer coloide em vacas com choque hipovolêmico.
III. A monitorização hemodinâmica durante fluidoterapia em prolapso retal deve incluir avaliação contínua de frequência cardíaca, frequência respiratória, tempo de preenchimento capilar, coloração de mucosas, temperatura de extremidades e possível mensuração de pressão venosa central (PVC) através de cateter em veia jugular. A normalização destes parâmetros indica resposta apropriada à fluidoterapia. Porém, em grandes animais, a interpretação de PVC deve levar em conta que valores normais são diferentes de pequenos animais (referência em vacas: 5-15 cm H,O), e elevação de PVC pode indicar sobrecarga de volume ou falha cardíaca.
IV. A velocidade de infusão de cristaloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser agressiva na fase inicial (bolus rápido), mas deve ser reduzida significativamente após restauração de perfusão tecidual básica, pois infusão contínua agressiva de cristaloides em grandes animais pode resultar em edema pulmonar, edema subcutâneo severo e possível falha cardíaca. Além disso, em casos de prolapso retal com edema severo, infusão excessiva de cristaloides pode piorar o edema do tecido prolapsado, dificultando a redução e aumentando risco de necrose tecidual.
V. A escolha entre cristaloides e coloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser baseada exclusivamente no tipo de fluido disponível no momento, sem consideração de fatores clínicos como severidade do choque, tempo de evolução ou presença de edema. Portanto, se apenas houver cristaloides, deve-se usar cristaloides; se houver apenas coloides à disposição, deve-se usar coloides, independentemente de qualquer outra consideração clínica.

Assinale a alternativa com a sequência correta:
Uma ovelha da raça Santa Inês, primípara, 3 anos, foi atendida em emergência após 8 horas de trabalho de parto sem progresso. A proprietária relata que a ovelha apresenta contrações uterinas fortes e frequentes, mas não consegue expelir o feto. Ao exame clínico, a ovelha apresenta sinais de fadiga, mucosas pálidas, frequência cardíaca elevada (120 bpm) e temperatura retal de 38,5°C. O exame obstétrico revela dilatação cervical completa, presença de líquido amniótico, mas o feto está em posição transversa (dorso-sacral), com os membros anteriores fletidos. Após tentativa de mutação manual sem sucesso, o veterinário suspeita de distocia mecânica. Considerando os conhecimentos sobre fisiopatologia da distocia, manobras de mutação e extração, fetotomia e cesariana em pequenos ruminantes, analise as seguintes afirmativas, julgando se verdadeiras (V) ou falsas (F): 

l. A distocia em pequenos ruminantes é definida como a dificuldade ou impossibilidade de expulsão do feto durante o parto, podendo ser classificada em distocia materna (relacionada ao tamanho ou à conformação da pelve) ou distocia fetal (relacionada ao tamanho, à posição ou à conformação do feto). A posição transversa do feto, como a observada no caso apresentado, é uma causa comum de distocia fetal em ovelhas primíparas, representando aproximadamente 15-20% dos casos de distocia em pequenos ruminantes. 
II. As manobras de mutação são procedimentos manuais realizados com objetivo de corrigir a posição do feto dentro do útero, permitindo sua extragdo por via vaginal. Em caso de posição transversa, como a descrita, a manobra apropriada seria a rotação do feto para posição longitudinal (dorso-sacral para dorso-vertebral), seguida de flexão dos membros anteriores e de posterior extração forçada. Estas manobras devem ser realizadas sob sedação e analgesia apropriadas, com lubrificação adequada do canal pélvico, e requerem experiência clínica significativa para evitar ruptura uterina ou lesão fetal.
III. A extração forçada em pequenos ruminantes deve ser realizada apenas após tentativas falhadas de mutação manual e com aplicação de tração moderada durante as contrações uterinas. Em fetos viáveis, a extração forçada pode resultar em lesão fetal severa (fraturas, hemorragia intracraniana) e lesão materna (ruptura uterina, hemorragia vaginal severa). Portanto a extração forçada deve ser evitada completamente em todos os casos de distocia, sendo a cesariana a única opção terapêutica apropriada para qualquer situação de distocia em pequenos ruminantes.
IV. A fetotomia é um procedimento cirúrgico que consiste na divisão do feto em segmentos para facilitar sua extração por via vaginal, em casos de distocia fetal em que a extração inteira é impossível. Indicações incluem feto morto, feto muito grande em relação à pelve materna ou quando cesariana não é viável (falta de recursos, morte materna iminente). A fetotomia requer conhecimento anatômico detalhado, instrumentação apropriada e experiência clínica, sendo considerada um procedimento de salvação em situações desesperadas.
V. A cesariana em pequenos ruminantes é realizada através de incisões na linha média ventral ou incisão no flanco, com exteriorização do útero gravídico. O procedimento deve ser realizado sob anestesia geral com intubação endotraqueal, com a preparação cirúrgica apropriada da área operatória. A cesariana oferece melhor prognóstico materno e fetal se comparada à fetotomia ou à extração forçada, especialmente em casos de distocia materna (pelve pequena) ou quando há viabilidade fetal. Porém a cesariana em pequenos ruminantes apresenta taxa de complicações pós-operatórias muito elevada (> 50%), incluindo infecção, deiscência de sutura e morte materna, tornando-a contraindicada em praticamente todos os casos de distocia.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
Um equino, macho, 10 anos, apresenta histórico de laminite aguda há 6 meses que evoluiu para claudicação crônica persistente. O exame clínico revela deformidade da parede ungueal com crescimento anormal do casco, sensibilidade aumentada à palpação da sola e dificuldade na locomoção. A radiografia lateral do casco revela rotação da falange distal com deslocamento dorsal da ponta e possível osteólise do processo extensor. Qual das seguintes afirmações melhor descreve o manejo clínico e prognóstico da laminite crônica com essas alterações radiográficas? 
Um equino, fêmea, 12 anos, apresenta claudicação progressiva bilateral nos membros anteriores, com piora durante o exercício e melhora com repouso. O exame da flexão do carpo demonstrou-se positivo, e houve aumento da claudicação após compressão dorso-palmar com pinga de casco. A radiografia revela alterações degenerativas na superfície articular do osso navicular e possível entesopatia. Qual das seguintes alternativas melhor descreve a fisiopatologia e o manejo clínico da síndrome do navicular? 
Um equino, macho, 8 anos, apresenta-se com claudicação aguda no membro anterior esquerdo, edema localizado na região metacarpiana e sensibilidade aumentada à palpação do tendão flexor digital superficial. O proprietário relata que o animal foi submetido a exercício intenso no dia anterior. Considerando a apresentação clínica sugestiva de tendinite, qual das seguintes afirmações representa a abordagem diagnóstica e terapêutica mais apropriada para este caso?