Filtrar


Questões por página:
Uma professora de Sociologia observou que diversos estudantes da escola em que trabalhava passaram a utilizar o mesmo modelo e cor de tênis. Um dos alunos explicou que o referido tênis era utilizado e divulgado por um famoso influenciador digital. A professora decidiu, então, aproveitar esse caso como exemplo em uma aula em que abordaria o tema da indústria cultural. Na aula em questão, expôs o tema e pediu aos alunos que fizessem a leitura do seguinte trecho, com o intuito de, posteriormente, relacionar o padrão observado na turma com o texto lido.

Atualmente, a atrofia da imaginação e da espontaneidade do consumidor cultural não precisa ser reduzida a mecanismos psicológicos. Os próprios produtos — e entre eles, em primeiro lugar, o mais característico, o filme sonoro — paralisam essas capacidades em virtude de sua constituição objetiva. São feitos de tal forma que sua apreensão adequada exige, é verdade, presteza, dom de observação, conhecimentos específicos, mas também de tal sorte que proíbem a atividade intelectual do espectador, se ele não quiser perder os fatos que desfilam velozmente diante de seus olhos.

ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985. p. 104 (adaptado).

Uma forma adequada de a docente conduzir a análise do padrão observado, articulando-o com o excerto apresentado, é levar os estudantes a compreender que
Quando se toma o conceito de capital cultural em seu sentido amplo, isto é, como sinônimo de disposições culturais e de relação com os bens de cultura, é imperioso constatar que uma fortíssima correlação com o sucesso escolar subsiste, porque determinados modos de socialização familiar são indubitavelmente mais favoráveis do que outros à constituição de disposições cognitivas (esquemas mentais, maneiras de pensar e interpretar o mundo físico e social, espírito crítico, capacidade analítica), linguísticas (habilidades de expressão oral e escrita, capacidade argumentativa) e comportamentais (liderança, dinamismo, espírito de equipe). Todos esses traços são valorizados e mesmo requeridos pela escola — sem falar no capital informacional relativo ao funcionamento dos sistemas de ensino, que está na base das estratégias educativas parentais e de sua propensão a investir no sucesso escolar dos filhos.

NOGUEIRA, M. A. O capital cultural e a produção das desigualdades escolares contemporâneas. Cadernos de pesquisa (Fundação Carlos Chagas. On-line), v. 51, p. 1-13, 2021 (adaptado).

Um professor de Sociologia do Ensino Médio tem como objetivo conduzir, a partir das informações do texto acima, uma atividade de pesquisa que leve seus alunos a refletirem sobre o conceito de capital cultural e os determinantes da evasão escolar e do ingresso na universidade.

Nessa situação, o objetivo do docente será alcançado se, na atividade desenvolvida, os estudantes fizerem o levantamento
Uma docente de Sociologia estava preparando aulas destinadas a estudantes do Ensino Médio de uma escola pública estadual. A temática prevista para o bimestre que iria começar era cultura. Como parte do planejamento, a professora preparou uma primeira aula sobre o conceito de patrimônio material e uma segunda aula sobre o conceito de patrimônio imaterial. Buscando atuar de forma interdisciplinar, a docente pediu ao professor de Literatura da escola que enviasse alguns trechos literários que ela pudesse utilizar em suas aulas.

Nessa situação, qual dos trechos enviados pelo professor de Literatura poderia ser usado pela docente de Sociologia na segunda aula, para exemplificar o conceito abordado?
Muitas mudanças conjunturais têm possibilitado uma historicização crítica das categorias analíticas em uso na literatura e a busca por uma nova abordagem sobre as questões que envolvem a relação entre os fenômenos religiosos e a esfera pública. No caso brasileiro, é possível nomear algumas mutações que parecem de especial relevância para a renovação desse campo de estudos. Em vez de pensar a emergência da sociedade civil como resultante do retraimento da religião para a esfera doméstica, alguns estudos já estão se ocupando da análise do trabalho histórico das agências religiosas na própria construção da sociedade civil como esfera relativamente separada.

MONTERO, P. Secularização e espaço público: a reinvenção do pluralismo religioso no Brasil. Revista Etnográfica, v. 13, n. 1, p. 7-16, 2009 (adaptado).

Um professor de Sociologia de uma turma da 2ª série do Ensino Médio está planejando aulas sobre cultura e diversidade cultural a partir do tema da religião. Seu objetivo é abordar a participação das religiões na esfera pública. Esse assunto é sociologicamente importante porque permite indicar que as religiões não se restringem à intimidade das pessoas, uma vez que estão cada vez mais participando de decisões públicas. O professor não pretende promover um debate moral em sala, discutindo se a presença pública das religiões está certa ou errada; sua intenção é promover a construção ativa do conhecimento sobre o tema pelos estudantes.

Considerando essa situação, assinale a opção que apresenta uma estratégia de ensino que o docente poderia adotar, na sequência do seu planejamento, para alcançar seus objetivos.
Para regulamentar a Lei n. 10.639/2003, o Conselho Nacional de Educação aprovou, em 2004, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. O relatório que introduz as Diretrizes foi elaborado mediante amplo diálogo com diferentes entidades do movimento negro. Nele, encontra-se o seguinte trecho:

É importante destacar que não se trata de mudar um foco etnocêntrico marcadamente de raiz europeia por um africano, mas de ampliar o foco dos currículos escolares para a diversidade cultural, racial, social e econômica brasileira. Nesta perspectiva, cabe às escolas incluir no contexto dos estudos e atividades, que proporciona diariamente, também as contribuições histórico-culturais dos povos indígenas e dos descendentes de asiáticos, além das de raiz africana e europeia. É preciso ter clareza que o Art. 26A acrescido à Lei 9.394/1996 provoca bem mais do que inclusão de novos conteúdos, exige que se repensem relações étnico-raciais, sociais, pedagógicas, procedimentos de ensino, condições oferecidas para aprendizagem, objetivos tácitos e explícitos da educação oferecida pelas escolas.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília (DF): Ministério da Educação, 2004. p. 17 (adaptado).

Com base no exposto, assinale a opção que melhor representa a aplicação da Lei n. 10.639/2003 no contexto do ensino de Sociologia no Ensino Médio no Brasil, de acordo com a problematização feita no trecho das Diretrizes.