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Leia estes versos do poeta Paulo Leminski.
[...]
passe o que nasce
passe o que nem
passe o que faz
passe o que faz-se
que tudo passe
e passe muito bem
[...]
Os quatro primeiros versos apresentam a seguinte figura de linguagem:
Leia o texto a seguir:
“Fernweh: os alemães têm uma palavra pro desejo de ir pra longe. Mas aí é fácil. Os alemães têm palavra pra tudo. Por um motivo. É facílimo fazer palavra em alemão. Basta aglomerar uma frase inteira, sem espaços. O alemão tem uma palavra pra associação de funcionários subordinados ao chefe de administração dos serviços elétricos de vapor do Danúbio:
“Donaudampfschifffahrselektrizitätenhauptbetriebswerkbauunterbeamtengesellschaft”. (...)
Só de olhar essa palavra já me dá vertigem. Custava botar espaço? Toda palavra alemã parece uma hashtag.”
DUVIVIER, G. Aos pés da letra. São Paulo: Companhia das letras,2026. p.139.
A ironia do texto é construída principalmente pela tensão entre
Leia um trecho da crônica “Banhos” de Antonio Prata:
“Quatrocentos e trinta quilômetros, contudo, são quatrocentos e trinta quilômetros, de modo que mais cedo ou mais tarde aquele nosso velho amigo, o tédio, se aboletar no banco de trás. Com as vozes arrastadas, perguntávamos: “Pai, falta muito?”. Sabíamos a resposta, mas não nos importávamos. Queríamos justamente ouvi-lo dizer quanto faltava, pois meu pai tinha inventado uma unidade de medida muito mais interessante do que quilômetros, horas ou minutos para quantificar a duração de uma viagem: “Acho que faltam uns… dezesseis banhos”.
PRATA, A. Nu, de botas. São Paulo: Companhia das Letras,2013. p.108
Na elaboração literária da cena cotidiana, a personificação do tédio como “velho amigo” e a referência aos “dezesseis banhos” contribuem para