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Em sua investigação sobre a lógica da pesquisa científica, Karl Popper percebe a impossibilidade de provarmos a verdade de uma teoria a partir da experimentação empírica. Isso porque tal prova implicaria necessariamente no recurso a um argumento falacioso, a afirmação do consequente. De forma esquemática, poderíamos resumir da seguinte maneira tal argumento: se a teoria A está correta, então o experimento terá o resultado X; o experimento teve o resultado X (o esperado); logo, a teoria A é verdadeira. Ora, não necessariamente, afinal, uma outra teoria ainda não apresentada também poderia oferecer uma boa explicação para este fenômeno. Todavia, pode-se sim provar por modus tollens a falsidade de uma teoria, desde que o resultado que se previa para o experimento não seja verificado.

Como Popper redefine a ciência a partir dessa constatação?
A boa prática científica pode se assentar num conjunto de dogmas, isto é, de crenças postas acima de suspeitas? Contrariando a imagem do cientista como um “espírito aberto” e essencialmente não-dogmático, o filósofo da ciência Thomas Kuhn acredita que o cientista individual não partilha desses atributos. Para ele,
Preconceito e resistência parecem ser mais a regra do que a exceção no desenvolvimento científico avançado. [...] Embora o preconceito e resistência às inovações possam muito facilmente pôr um freio ao progresso científico, a sua onipresença é, porém, sintomática como característica requerida para que a investigação tenha continuidade e vitalidade. Características desse tipo, tomadas coletivamente, eu classifico como dogmatismo das ciências maduras. [...] A educação científica “semeia” o que a comunidade científica, com dificuldade, alcançou até aí - uma adesão profunda a uma maneira particular de ver o mundo e praticar a ciência. (KUHN, Thomas S. A função do dogma na investigação científica. Curitiba: UFPR / SCHLA, 2012, p. 20-21).

Considere as seguintes assertivas:
I – Há aqui uma contradição no pensamento do autor porque não se compreende como o autor de A estrutura das revoluções científicas defenda a importância do dogma para a ciência e que os cientistas sejam em sua prática conservadores e não, revolucionários.
II – O posicionamento de Kuhn é coerente com sua concepção de paradigma científico. Com efeito, para Kuhn, na base da prática científica está a adesão a um paradigma que, partilhado pela comunidade científica, define os limites da ciência normal de uma dada época.
III – Aqui está um dos pontos centrais da divergência entre Kuhn e Popper. Para Popper, não haveria dogma científico acima ou imune ao princípio da falseabilidade. A ideia de uma crença que devesse ser protegida e não falseada lhe pareceria também não-científica.
IV – Neste ponto, é possível aproximar o posicionamento de Kuhn e de Imre Lakatos. Porque este último compreende que todo programa de pesquisa parte de um “núcleo irredutível” de hipóteses que não serão postas em discussão (que, de princípio, não se tentará falsear).

Assinale a alternativa que contém apenas as assertivas corretas:
“Seres humanos foram dotados apenas de inteligência suficiente para ver com clareza o quanto inadequada é a inteligência quando confrontada com o que existe.” Albert Einstein.
Constata-se, por esse pensamento, que

Edmund Gettier ficou conhecido por introduzir na Epistemologia os, assim denominados, casos de Gettier, casos problemáticos (contra exemplos) para a suficiência da definição tripartite do conhecimento proposicional como crença verdadeira e justificada.



Considere os seguintes casos e avalie se eles se classificam, ou não, como casos de Gettier.



I - Eduardo acredita em tudo aquilo que é notícia no seu canal preferido, já que ele é reconhecido como um veículo de informação confiável, e frequentemente checa as suas notícias antes de publicá-las. Certo dia, esse mesmo canal noticiou falsamente que o presidente X havia falecido. Eduardo concluiu falsamente, embora de modo justificado, que faleceu o presidente X.


II - Todos os dias, ao passar pela praça central de sua cidade, Alice consulta a hora no preciso relógio de ponteiros da catedral. Ela sempre confia na hora informada pelo relógio, pois ele é muito preciso e regular. Sem que Alice o saiba, entretanto, o relógio parou de funcionar às 8:15 da noite anterior. Hoje, ao passar pela praça central, exatamente às 8:15 da manhã, Alice olha para o relógio da catedral e se informa, acidentalmente, sobre a hora certa.


III - Eustáquio sempre jogava na loteria a mesma sequência de números. Ele acreditava que um dia tais números lhe trariam sorte, pois sonhava com eles copiosamente. Certo dia, jogando com estes mesmos números, Eustáquio acertou na loteria e ganhou um prêmio milionário.



É (são) caso (s) de Gettier apenas

Um grupo de estudantes discutia sobre as origens do pensamento científico e como ele se relacionava com as explicações naturais do mundo propostas pelos primeiros filósofos. Durante a conversa, um deles afirmou que Tales de Mileto acreditava que a água era o princípio originador de todas as coisas. Outro estudante mencionou que Anaxímenes também identificava um elemento natural como a origem de tudo, mas que esse elemento não era a água. Com base no pensamento dos pré-socráticos da Escola Jônica, identifique qual era o elemento proposto por Anaxímenes como princípio originador de todas as coisas.