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A observação atenta dos pacientes, durante o exame físico do tórax, pode revelar a presença de alterações do padrão do ritmo respiratório. Muito embora o surgimento de tais alterações não implique obrigatoriamente a presença de sintomas de desconforto respiratório e, portanto, na ocorrência de dispneia, é conveniente comentá-las devido à semelhança de muitos termos. Além disso, tais alterações podem se associar com distúrbios fisiopatológicos, específicos e receber denominações especiais. Sobre estes termos, analise as afirmativas a seguir.

I. Ritmo de Cantani: nome dado a um ritmo respiratório totalmente irregular, no tocante à amplitude das incursões respiratórias e à frequência. Aparece em pacientes com hipertensão intracraniana e lesões do sistema nervoso central.

II. Ritmo de Biot: caracteriza-se pelo aumento da amplitude dos movimentos respiratórios, de modo regular, secundariamente à presença de acidose metabólica, encontrada, por exemplo, na cetoacidose diabética ou insuficiência renal. À medida que a acidose metabólica se agrava, raramente pode haver o surgimento do ritmo de Kussmaul, traduzido pela alternância sequencial de apneias inspiratórias e expiratórias.

III. Dispneia suspirosa: consiste na presença de inspirações profundas, esporádicas, em meio a um ritmo respiratório normal. Costuma aparecer em indivíduos com distúrbios psicológicos ou emotivos.

IV. Ritmo de Cheynes-stockes: caracteriza-se pela alternância de períodos de apneia, seguidos por hiperpneia crescente e decrescente, até a instalação de nova apneia e, assim, sucessivamente. Esse ritmo respiratório ocorre mais comumente em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave, podendo, também, estar presente em vigência de lesões do sistema nervoso central e hipertensão intracraniana. Nos casos de insuficiência cardíaca, sua gênese é explicada pelo aumento do retardo circulatório dos pulmões para o cérebro. Nessa situação, ocorre uma dissociação entre os valores de pH e PaCO2 no nível pulmonar e no nível dos quimiorreceptores centrais, levando ao surgimento da respiração periódica.

Está correto o que se afirma em 
“Estudos têm demonstrado que a dispneia se constitui no principal fator limitante da qualidade de vida, relacionada à saúde de pacientes portadores de insuficiência respiratória crônica, seja de cunho obstrutivo, ou de cunho restritivo. Devido a tais fatos, nos últimos anos, tem havido um renovado interesse na investigação dos aspectos fisiopatológicos e terapêuticos do referido sintoma.”
(MARTINEZ; PADUA & TERRA FILHO, 2004.)

No manuseio de pacientes com dispneia, frequentemente são empregados termos descritivos de condições específicas; analise-os.

I. Platipneia: sensação de dispneia que surge ou piora em uma posição lateral e desaparece ou melhora com o decúbito lateral oposto. É uma queixa não específica, que pode surgir em qualquer doença, comprometendo mais intensamente um pulmão. São exemplos dessa condição: ocorrência de derrame pleural unilateral ou paralisia diafragmática unilateral.

II. Ortopneia: denominação dada ao surgimento ou agravamento da sensação de dispneia com a adoção da posição horizontal. O sintoma tende a ser aliviado, parcial ou totalmente, com a elevação da porção superior do tórax pelo uso de um número maior de travesseiros, ou pela elevação da cabeceira da cama. Classicamente, surge em pacientes portadores de insuficiência cardíaca esquerda, sendo associada com o estabelecimento de congestão pulmonar. Embora mais frequente em cardíacos, a ortopneia também pode ser observada em pacientes com asma ou DPOC. É uma queixa característica de indivíduos portadores de fraqueza da musculatura diafragmática como, por exemplo, pacientes com doenças neuromusculares, pela elevação das vísceras abdominais, que acabam por se opor às incursões inspiratórias diafragmáticas.

III. Treponema: nome dado à sensação de dispneia, que surge, ou se agrava, com a adoção da posição ortostática, particularmente em pé. Classicamente, esse fenômeno ocorre em pacientes com quadros de pericardite, ou na presença de shunts direito-esquerdos.

IV. Dispneia paroxística noturna: nome dado à situação na qual o paciente tem seu sono interrompido por uma dramática sensação de falta de ar, levando-o a se sentar no leito, ou mesmo a se levantar e procurar uma área da casa mais ventilada, visando obter alívio da súbita sensação de sufocação. Pode estar presente, ainda, sudorese profusa. É uma condição comum em pacientes portadores de insuficiência cardíaca esquerda.

Está correto o que se afirma em 
Embora a SARS-CoV-2 seja considerada um patógeno respiratório, consideráveis complicações neurológicas se manifestam durante o Covid-19 agudo e esses sintomas podem persistir meses após a infecção, o que se denomina atualmente de Covid longa. Os mecanismos fisiopatológicos não são totalmente esclarecidos, mas há evidências de disfunção imunológica, neuroinflamação inespecífica e desregulação autoimune antineural, que podem levar o indivíduo à perda da capacidade funcional e transtornos psicológicos. Com base no texto, analise as afirmações a seguir:

I-Sintomas neurológicos e psiquiátricos, como dificuldade com a memória, concentração e capacidade de realizar tarefas cotidianas, dores de cabeça frequente e fadiga são queixas comuns em pacientes com infecção pelo Covid-19.
II-Como o patógeno agressor é de origem respiratória, não há relação das manifestações neurológicas e psiquiátricas com o Covid-19.
III-Pessoas vulneráveis, como as com idade avançada e doença cardíaca, são mais propensas a eventos cerebrovasculares, como trombose, acidente vascular cerebral e infarto, o que sugere uma inflamação endotelial e distúrbios de coagulação nesses pacientes.
IV-É possível que a neuroinflamação e a lesão neuronal encontrada no COVID-19 possa desencadear ou acelerar desenvolvimento futuro de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer ou Parkinson.

É CORRETO o que se afirma em:
Durante os exercícios realizados na reabilitação cardiopulmonar, alguns pacientes, principalmente os com maior acometimento pulmonar, podem apresentar dessaturação ao esforço, representado por uma queda na Saturação Periférica de Oxigênio (SpO2) ? 90%. Essa hipoxemia pode ser transitória, retornando ao seu valor basal quando o exercício é interrompido. Sobre os mecanismos envolvidos na hipoxemia durante o esforço, analise as afirmações a seguir:

I-Uma queda na SpO2 ? 4% é considerada uma dessaturação ao esforço e é utilizada para avaliar a necessidade de utilização de oxigênio em pacientes com maior acometimento pulmonar.

II-Limitação ventilatória, desproporção entre a oferta e o consumo de oxigênio pelos músculos e inflamação sistêmica são algumas das explicações fisiopatológicas para a dessaturação durante o esforço nesses pacientes.

III-O Teste de Caminhada de Seis Minutos, Shuttle Walk Test e Teste de Levantar e Sentar podem ser utilizados para identificar e diagnosticar dessaturação ao esforço.

IV-SpO2 ? de 85% é um critério que pode ser utilizado para interrupção do exercício.

É CORRETO o que se afirma em: 
Analise o caso clínico a seguir:

Paciente com diagnóstico clínico de infecção por COVID-19 é encaminhado à Reabilitação Cardiopulmonar. Na avaliação inicial, o fisioterapeuta fez os seguintes testes:

(1)Teste de Levantar e Sentar de 1 minuto (TLS1m), onde o paciente atingiu 43% do seu valor predito, com SpO2 inicial de 96% e SpO2 final de 94%.
(2)Teste de Caminhada de Seis Minutos (TC6m), no qual o paciente atingiu 62% da sua distância predita, com SpO2 inicial de 96% e SpO2 final de 89%.
(3)Força de preensão palmar (FPP), através da Dinamometria, no qual a força de sua mão dominante atingiu 52% do valor predito e na mão não dominante, 35% do valor predito.
(4)Força muscular respiratória, através da manovacuometria, onde PIMáx atingiu 48% do valor predito e PEMáx, 55% do valor predito.

Com relação ao diagnóstico físico-funcional, o Fisioterapeuta fez a seguinte interpretação:
I-O TSL1m avalia principalmente força muscular de membros inferiores, sendo o diagnóstico fisioterapêutico interpretado como fraqueza muscular de membros inferiores.
II-O TC6min avalia a tolerância ao esforço e o Fisioterapeuta diagnosticou o resultado do teste como intolerância ao esforço e dessaturação ao esforço.
III-A dinamometria de preensão palmar avalia a força muscular periférica ou global. O Fisioterapeuta diagnosticou como fraqueza de musculatura periférica moderada.
IV-Manovacuometria avalia força muscular respiratória. O Fisioterapeuta diagnosticou como força muscular respiratória normal.

É CORRETO o que se afirma em: