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Correntes historiográficas desenvolvidas ao longo do século XX promoveram mudanças significativas na produção do conhecimento histórico. Entre essas transformações, destacaram-se a ampliação dos objetos de investigação, o uso de fontes não convencionais e o interesse pelas experiências coletivas e individuais de diferentes grupos sociais. Além disso, passaram a ganhar relevância temas relacionados à cultura, às práticas cotidianas e às estruturas sociais de longa duração. Nesse contexto de renovação metodológica e temática, qual corrente historiográfica exerceu maior influência sobre essas mudanças na pesquisa histórica?
Entre as atribuições precípuas da História figura a prerrogativa de resgatar da voragem do esquecimento aquilo que, não fosse o labor historiográfico, sucumbiria à obscuridade do tempo, viabilizando, desse modo, a transmissão intergeracional do saber pretérito. Nessa esteira interpretativa, a denominada História Cultural, conforme postulam Jean-Pierre Rioux e Jean-François Sirinelli, consubstancia-se como o campo que “fixa o estudo das formas de representações do mundo no seio de um grupo cuja natureza pode variar” (p.20,1998), problematizando o passado mediante a análise das estruturas simbólicas, dos sentidos socialmente partilhados e das sensibilidades que conformam o conhecimento humano, manifestadas em emoções e percepções coletivas.
A respeito do tal prisma, e à luz das novas abordagens conceituais e metodológicas no campo da produção e da metodologia historiográfica, é plausível ratificar que:

A temporalidade histórica constitui um dos eixos estruturantes da epistemologia da História, definindo a forma como o historiador concebe, organiza e interpreta as experiências humanas no tempo. Acerca desse assunto, analise as afirmativas abaixo.


I. Do ponto de vista teórico, a temporalidade histórica rompe com a ideia de um tempo linear e progressivo. A historiografia contemporânea, sobretudo no âmbito da Escola Marxista, passou a compreender os fenômenos históricos a partir da noção de múltiplas durações, articulando permanências, rupturas, acelerações e continuidades.

II. Diferentemente da noção de tempo cronológico, homogêneo e mensurável, herdada das ciências naturais, a temporalidade histórica é qualitativa, plural e socialmente construída, sendo inseparável das representações, práticas e estruturas que conformam as sociedades ao longo do processo histórico.

III. Do ponto de vista metodológico, trabalhar com a temporalidade histórica implica reconhecer que diferentes sujeitos e grupos sociais experienciam o tempo de maneira desigual. Classes sociais, comunidades tradicionais, povos indígenas, grupos urbanos ou rurais constroem regimes temporais específicos, que influenciam práticas econômicas, formas de sociabilidade, rituais e concepções de futuro.


Está(ão) CORRETA(S) a(s) seguinte(s) afirmativa(s):

O trabalho do historiador depende da seleção, crítica e interpretação de diferentes fontes históricas, entendidas como vestígios produzidos por sociedades em distintos contextos e com variadas intencionalidades. Essas fontes podem assumir formas diversas e exigem procedimentos específicos de análise (autenticidade, autoria, circulação, público-alvo, silêncios e vieses). Relacione corretamente os tipos de fontes da Coluna I às descrições analíticas da Coluna II.



Coluna I − Tipos de fontes



1. Fonte escrita (documental).


2. Fonte material (arqueológica).


3. Fonte oral.


4. Fonte iconográfica/visual.



Coluna II − Descrições analíticas



(__) Inclui objetos, estruturas e vestígios físicos (cerâmicas, utensílios, edificações, sepultamentos), permitindo inferir práticas cotidianas, técnicas e padrões de consumo, mas exigindo contextualização estratigráfica e cautela com lacunas de preservação.


(__) Abrange leis, cartas, registros administrativos, jornais e diários; demanda crítica interna e externa (autoria, datação, finalidade e circulação) para evitar leitura literal e anacrônica do conteúdo.


(__) Baseia-se em relatos, entrevistas e memórias; requer atenção a seletividades, esquecimentos, disputas de sentido e condições de enunciação, articulando o testemunho com outras evidências.


(__) Compreende pinturas, fotografias, gravuras, mapas e cartazes; solicita análise de linguagem visual, enquadramento, símbolos e contexto de produção/uso, evitando tratá-la como "espelho" imediato da realidade.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, na Coluna II.

O historiador trabalha com diferentes temporalidades e com registros variados do passado. Nesse processo, tempo histórico e memória se relacionam, mas não se confundem: o primeiro remete à construção analítica de permanências, mudanças e ritmos, enquanto a segunda envolve lembranças socialmente elaboradas, atravessadas por disputas de sentido. Considerando esses fundamentos, analise as afirmativas:



I. O tempo histórico é uma construção analítica que permite compreender processos de mudança e permanência em diferentes ritmos, não se limitando à simples cronologia de datas e acontecimentos.


II. A memória é um fenômeno individual e coletivo, seletivo e situado, podendo ser influenciada por identidades, interesses, experiências e disputas sociais, o que exige crítica e contextualização quando utilizada como fonte.


III. A memória substitui o trabalho histórico, pois o testemunho direto garante acesso imediato e neutro ao passado, dispensando confronto com outras fontes e procedimentos de crítica.


IV. O tempo histórico pode ser analisado por múltiplas escalas temporais (curta, média e longa duração), permitindo explicar simultaneamente eventos, conjunturas e estruturas.



Assinale a alternativa correta.