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Tenho quebrado copos
Tenho quebrado copos é o que tenho feito raramente me machuco embora uma vez sim uma vez quebrei um copo com as mãos era frágil demais foi o que pensei era feito para quebrar-se foi o que pensei e não: eu fui feita para quebrar em geral eles apenas se espatifam na pia entre a louça branca e os talheres (esses não quebram nunca) ou no chão espalhando-se então com um baque luminoso tenho recolhido cacos tenho observado brevemente seu formato pensando que acontecer é irreversível pensando em como é fácil destroçar tenho embrulhado os cacos com jornal para que ninguém se machuque como minha mãe me ensinou como se fosse mesmo possível evitar os cortes (mas que não seja eu a ferir) tenho andado a tentar não me ferir e não ferir os outros enquanto esgoto o estoque de copos
mas não tenho quebrado minhas próprias mãos golpeando os azulejos não tenho passado a noite deitada no chão de mármore estudando as trocas de calor não tenho mastigado o vidro procurando separar na boca o sabor do sangue o sabor do sabão nem tenho feito uma oração pelo destino variado do que antes era um e por minha força morre múltiplo tenho quebrado copos para isso parece deram-me mãos tenho depois encontrado cacos que não recolhi e que identifico por um brilho súbito no chão da cozinha de manhã tenho andado com cuidado com os olhos no chão à procura de algo que brilhe e tenho quebrado copos é o que tenho feito
(MARQUES, Ana Martins. O livro das semelhanças. São Paulo. Companhia das Letras,2015. p.101-102.)
Considerando esse poema e a integralidade da obra de que foi retirado, assinale a alternativa correta.
O poema é de Arnaldo Antunes.

ANTUNES, Arnaldo. Agora aqui ninguém precisa de si. São Paulo: Companhia das Letras,2015. p.89.
Avalie as afirmativas referentes ao poema de Antunes.
I. O sujeito poético estabelece uma espécie de conversa com o leitor, ensinando-o a responder a uma pergunta cotidiana.
II. O sujeito poético usa um toque de humor e ironia para criticar os discursos vazios da atualidade.
III. De forma mecânica e repetitiva, assim como uma máquina, o diálogo exemplifica a superficialidade das conexões humanas, que é repleta de discursos prontos, desinteressados e vazios.
Está correto o que se afirma em:
O poema é de Arnaldo Antunes.

ANTUNES, Arnaldo. Agora aqui ninguém precisa de si. São Paulo: Companhia das Letras,2015. p.89.
Avalie as afirmativas referentes ao poema de Antunes.
I. O sujeito poético estabelece uma espécie de conversa com o leitor, ensinando-o a responder a uma pergunta cotidiana.
II. O sujeito poético usa um toque de humor e ironia para criticar os discursos vazios da atualidade.
III. De forma mecânica e repetitiva, assim como uma máquina, o diálogo exemplifica a superficialidade das conexões humanas, que é repleta de discursos prontos, desinteressados e vazios.
Está correto o que se afirma em:
Poema de sete faces [...] As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. [...]
Na segunda geração modernista, esse poema representou a seguinte fase:
ANTUNES, Arnaldo. Agora aqui ninguém precisa de si. São Paulo: Companhia das Letras,2015. p.89.
Avalie as afirmativas referentes ao poema de Antunes.
I. O sujeito poético estabelece uma espécie de conversa com o leitor, ensinando-o a responder a uma pergunta cotidiana.
II. O sujeito poético usa um toque de humor e ironia para criticar os discursos vazios da atualidade.
III. De forma mecânica e repetitiva, assim como uma máquina, o diálogo exemplifica a superficialidade das conexões humanas, que é repleta de discursos prontos, desinteressados e vazios.
Está correto o que se afirma em: