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O limite continental brasileiro caracteriza-se por grande diversidade de ecossistemas e por acentuada heterogeneidade nos padrões de povoamento, que vão de áreas pouco habitadas a localidades densamente povoadas, com diferentes níveis de integração econômica e social com o restante do país e com os vizinhos sul-americanos. Essa diversidade expressa dinâmicas territoriais complexas e está diretamente associada a um processo histórico e geográfico no qual a fronteira foi concebida pelo Estado, desde o período colonial, não apenas como limite político-administrativo, mas como faixa de fronteira estratégica, dotada de especificidades que a distinguem do restante do território nacional e que articulam, de forma central, preocupações com soberania, organização espacial e segurança do Estado brasileiro.
Considerando-se os aspectos históricos, legais e geográficos, qual o significado contemporâneo da faixa de fronteira brasileira?
Para Wanderley Messias da Costa, no livro Geografia Política e Geopolítica: discursos a respeito do território e o poder (1992), a geopolítica deve ser concebida como um subcampo da geografia política, cuja função analítica é interpretar a distribuição espacial do poder de forma neutra e autônoma em relação às ideologias estatais, distinguindo‑se, assim, das práticas estratégicas ligadas à ação militar e à formulação de políticas territoriais.
Segundo Carlos Walter Porto Gonçalves no texto Da geografia às geo‑grafias: um mundo em busca de novas territorialidades (2002), foi com o Tratado de Westfália, no ano de 1648, que ocorreu uma reordenação jurídica internacional que mudaria radicalmente, com a inundação de metais preciosos que fez explodir a ordem mercantil pelo mundo com a exploração da natureza – ouro, prata, especiarias várias, assim como o açúcar entre outras matérias –, sustentada pela servidão indígena e pela escravidão de negros oriundos da América, da África e da Ásia.
Para Rogério Haesbaert, no livro O mito da desterritorialização: do fim dos territórios à multiterritorialidade (2004), a desterritorialização não deve ser entendida como a simples extinção dos territórios, mas como um processo relacional e contraditório, que se dá simultaneamente com a reterritorialização, expressando formas múltiplas e dinâmicas de apropriação do espaço.