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Uma ovelha da raça Santa Inês, primípara, 3 anos, foi atendida em emergência após 8 horas de trabalho de parto sem progresso. A proprietária relata que a ovelha apresenta contrações uterinas fortes e frequentes, mas não consegue expelir o feto. Ao exame clínico, a ovelha apresenta sinais de fadiga, mucosas pálidas, frequência cardíaca elevada (120 bpm) e temperatura retal de 38,5°C. O exame obstétrico revela dilatação cervical completa, presença de líquido amniótico, mas o feto está em posição transversa (dorso-sacral), com os membros anteriores fletidos. Após tentativa de mutação manual sem sucesso, o veterinário suspeita de distocia mecânica. Considerando os conhecimentos sobre fisiopatologia da distocia, manobras de mutação e extração, fetotomia e cesariana em pequenos ruminantes, analise as seguintes afirmativas, julgando se verdadeiras (V) ou falsas (F): 

l. A distocia em pequenos ruminantes é definida como a dificuldade ou impossibilidade de expulsão do feto durante o parto, podendo ser classificada em distocia materna (relacionada ao tamanho ou à conformação da pelve) ou distocia fetal (relacionada ao tamanho, à posição ou à conformação do feto). A posição transversa do feto, como a observada no caso apresentado, é uma causa comum de distocia fetal em ovelhas primíparas, representando aproximadamente 15-20% dos casos de distocia em pequenos ruminantes. 
II. As manobras de mutação são procedimentos manuais realizados com objetivo de corrigir a posição do feto dentro do útero, permitindo sua extragdo por via vaginal. Em caso de posição transversa, como a descrita, a manobra apropriada seria a rotação do feto para posição longitudinal (dorso-sacral para dorso-vertebral), seguida de flexão dos membros anteriores e de posterior extração forçada. Estas manobras devem ser realizadas sob sedação e analgesia apropriadas, com lubrificação adequada do canal pélvico, e requerem experiência clínica significativa para evitar ruptura uterina ou lesão fetal.
III. A extração forçada em pequenos ruminantes deve ser realizada apenas após tentativas falhadas de mutação manual e com aplicação de tração moderada durante as contrações uterinas. Em fetos viáveis, a extração forçada pode resultar em lesão fetal severa (fraturas, hemorragia intracraniana) e lesão materna (ruptura uterina, hemorragia vaginal severa). Portanto a extração forçada deve ser evitada completamente em todos os casos de distocia, sendo a cesariana a única opção terapêutica apropriada para qualquer situação de distocia em pequenos ruminantes.
IV. A fetotomia é um procedimento cirúrgico que consiste na divisão do feto em segmentos para facilitar sua extração por via vaginal, em casos de distocia fetal em que a extração inteira é impossível. Indicações incluem feto morto, feto muito grande em relação à pelve materna ou quando cesariana não é viável (falta de recursos, morte materna iminente). A fetotomia requer conhecimento anatômico detalhado, instrumentação apropriada e experiência clínica, sendo considerada um procedimento de salvação em situações desesperadas.
V. A cesariana em pequenos ruminantes é realizada através de incisões na linha média ventral ou incisão no flanco, com exteriorização do útero gravídico. O procedimento deve ser realizado sob anestesia geral com intubação endotraqueal, com a preparação cirúrgica apropriada da área operatória. A cesariana oferece melhor prognóstico materno e fetal se comparada à fetotomia ou à extração forçada, especialmente em casos de distocia materna (pelve pequena) ou quando há viabilidade fetal. Porém a cesariana em pequenos ruminantes apresenta taxa de complicações pós-operatórias muito elevada (> 50%), incluindo infecção, deiscência de sutura e morte materna, tornando-a contraindicada em praticamente todos os casos de distocia.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
Um equino, macho, 10 anos, apresenta histórico de laminite aguda há 6 meses que evoluiu para claudicação crônica persistente. O exame clínico revela deformidade da parede ungueal com crescimento anormal do casco, sensibilidade aumentada à palpação da sola e dificuldade na locomoção. A radiografia lateral do casco revela rotação da falange distal com deslocamento dorsal da ponta e possível osteólise do processo extensor. Qual das seguintes afirmações melhor descreve o manejo clínico e prognóstico da laminite crônica com essas alterações radiográficas? 
Um equino, fêmea, 12 anos, apresenta claudicação progressiva bilateral nos membros anteriores, com piora durante o exercício e melhora com repouso. O exame da flexão do carpo demonstrou-se positivo, e houve aumento da claudicação após compressão dorso-palmar com pinga de casco. A radiografia revela alterações degenerativas na superfície articular do osso navicular e possível entesopatia. Qual das seguintes alternativas melhor descreve a fisiopatologia e o manejo clínico da síndrome do navicular? 
Um equino, macho, 8 anos, apresenta-se com claudicação aguda no membro anterior esquerdo, edema localizado na região metacarpiana e sensibilidade aumentada à palpação do tendão flexor digital superficial. O proprietário relata que o animal foi submetido a exercício intenso no dia anterior. Considerando a apresentação clínica sugestiva de tendinite, qual das seguintes afirmações representa a abordagem diagnóstica e terapêutica mais apropriada para este caso? 
Um equino, macho, 8 anos, sofreu trauma penetrante na região metacarpiana do membro anterior direito durante acidente com arame farpado. A ferida apresenta aproximadamente 12 cm de comprimento, com bordas irregulares e contaminação visível. O animal foi atendido 6 horas após o trauma. Durante o exame clínico, o veterinário observa que a ferida está sangrando moderadamente, apresenta tecido muscular exposto em algumas áreas e sinais de contaminação ambiental. O proprietário relata que o animal não recebeu qualquer cuidado prévio, além de limpeza superficial com água. Considerando os conhecimentos sobre fisiologia da cicatrização, manejo de feridas traumáticas e infectadas, bem como prevenção do tecido de granulação exuberante em equinos, julgue as seguintes afirmativas se verdadeiras (V) ou falsas (F): 

l. A fase inflamatória da cicatrização inicia-se imediatamente após o trauma e é caracterizada pela hemostasia, infiltração de células inflamatórias (neutrófilos, macrófagos) e limpeza da ferida através de fagocitose. Esta fase é essencial para a reparação adequada e normalmente dura entre 3 a 5 dias, sendo recomendável que o veterinário preserve esta resposta fisiológica natural durante este período.
Il. A contaminação bacteriana em feridas traumáticas é um fator crítico que interfere significativamente na cicatrização. Feridas contaminadas com mais de 105 unidades formadoras de colônia (UFC) por grama de tecido apresentam risco aumentado de infecção clínica. O desbridamento cirúrgico precoce, realizado dentro de 6 a 8 horas após o trauma, associado a limpeza adequada e possível antibioticoterapia, reduz significativamente a carga bacteriana e favorece a cicatrização apropriada.
III. O tecido de granulação exuberante em equinos é uma complicação comum em feridas da região distal dos membros e é caracterizado pelo crescimento excessivo de tecido de granulação que ultrapassa o nível das bordas da ferida. Este crescimento excessivo está associado a fatores como movimento excessivo do membro, inflamação crônica, infecção persistente e possível deficiência de zinco. A prevenção inclui imobilização apropriada do membro, controle de infecção, manejo adequado da ferida e possível aplicação de corticosteroides tópicos ou agentes anti-inflamatórios.
IV. A fase de proliferação da cicatrização caracteriza-se pela síntese de colágeno, angiogênese e reepitelização, iniciando-se aproximadamente no terceiro dia após o trauma e durando várias semanas. Durante esta fase, o tecido de granulação é formado, e a resistência tensional da ferida aumenta progressivamente. Fatores como nutrição adequada (especialmente proteínas, vitaminas C e A e zinco), ausência de infecção e imobilização apropriada são fundamentais para o sucesso desta fase.
A aplicação de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em feridas traumáticas é contraindicada em qualquer circunstância, pois estes medicamentos inibem completamente a resposta inflamatória necessária para a cicatrização. Portanto o uso de AINEs deve ser evitado totalmente em animais com feridas traumáticas, independentemente da severidade da inflamação ou dor apresentada pelo animal.

Assinale a alternativa com a sequência correta: