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Depois dos “ready-made” de Duchamp, a arte nunca mais voltou a ser a mesma. Com ele, o ato criativo foi reduzido a um nível espantosamente rudimentar: à decisão singular, intelectual e largamente aleatória de chamar “arte” a este ou aquele objeto ou atividade. Duchamp deu a entender que a arte podia existir fora dos veículos convencionais e “manuais” da pintura e da escultura, e para além das considerações de gosto; seu ponto de vista era que a arte se relacionava mais com as intenções do artista do que com qualquer coisa que ele fizesse com as próprias mãos ou sentisse a respeito de beleza.
SMITH, Roberta. Arte Conceitual. In: Conceitos da Arte Moderna: com 123 ilustrações. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991. p.2 - 3. Adaptado.
O trecho acima se refere ao seguinte movimento da segunda metade do século XX:
Desde os anos 1990, as tecnologias digitais de informação e comunicação têm ampliado e transformado as linguagens artísticas.
As configurações atuais da Arte Tecnológica têm se fundido com a vida contemporânea, num processo viral de trocas incessantes entre o mundo real e o simulado. Criam-se trabalhos híbridos, nos quais o digital e o analógico, o natural e o artificial, o real e o virtual, se atravessam. A tecnologia passou a ser vista como um fator constitutivo da vida humana e, com a biotecnologia, a própria vida. As pesquisas científicas são reapropriadas e se transformam em linguagens artísticas, através do uso da interatividade, virtualidade, sistemas híbridos e imersão.
RAMOS, Ivan. In: Bienal Arte Digital: Linguagens Híbridas/ Livro-catálogo. Rio de Janeiro: Oi Futuro,2018. Adaptado.
A arte contemporânea abarca inúmeras possibilidades, a partir das tecnologias digitais. Considerando-se essas transformações, a Arte Digital
I. O predomínio das imagens sobre o conhecimento informal exige a alfabetização para a leitura de imagem, um provável caminho para uma democratização.
II. A leitura de imagem deve ocorrer de forma espontânea, sem necessidade de mediação pedagógica ou desenvolvimento de critérios de análise.
III. A alfabetização se realiza pelo exercício de leitura como análise crítica articulada ao contexto. Esse seria o caminho para o exercício e desenvolvimento de um olhar ativo sobre o mundo e para as imagens que o constituem.
I – Arte e Cultura Visual devem conviver nos currículos e salas de aulas, suas imagens devam ser analisadas com o mesmo rigor crítico para combatermos formas colonizadoras da mente e dos comportamentos.
II – A análise das imagens no contexto escolar deve ocorrer de forma neutra e desprovida de posicionamento crítico, evitando questionamentos sobre processos de dominação cultural.