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Em carta dirigida a F. Vettori, Maquiavel escreve: “Minha missão é falar sobre o Estado”. Este trecho da carta revela sua “predestinação” inarredável: falar sobre o Estado. De fato, sua preocupação em todas as suas obras é o Estado. Não o melhor Estado, aquele tantas vezes imaginado, mas que nunca existiu. Mas o Estado real, capaz de impor a ordem. Maquiavel rejeita a tradição idealista de Platão, Aristóteles e Tomás de Aquino e segue a trilha inaugurada pelos historiadores antigos, como Tácito, Políbio e Tito Lívio. Seu ponto de partida e de chegada é a realidade concreta.

(Sadek, M. T. In: Weffort, 2006. Adaptado)

Maria Tereza Sadek indica que, em suas obras, Maquiavel enfatiza
Muitos imaginaram repúblicas e principados que jamais foram vistos e que nem se soube se existiram na verdade, porque há tamanha distância entre como se vive e como se deveria viver que aquele que abandona o que se faz por aquilo que se deveria fazer aprende antes a arruinar-se que a preservar-se. Eis por que é necessário a um príncipe que quiser manter-se, aprender a poder não ser bom e a valer-se ou não disso segundo a necessidade.
                                             Nicolau Maquiavel. O Príncipe. Ed. Martins Fontes (com adaptações).
Considerando-se o texto precedente, é correto afirmar que Maquiavel recomenda ao príncipe, isto é, ao governante, que este
Para Leslei Levene (2019), o autor da obra “O Príncipe”, de 1513, considerava que um governante poderia usar meios imorais, cruéis e perversos quando julgasse necessário, deixando a população amedrontada. E ainda que sua filosofia se firmava na ideia de que os fins justificam os meios. Conhecido principalmente por discorrer sobre as dinâmicas do poder, o filósofo a quem se refere Levene é:
Leia o excerto a seguir:
"Mas, sendo minha intenção escrever coisa útil para quem a entende, pareceu-me mais conveniente ir diretamente à verdade efetiva da coisa do que à imaginação dela. E muitos imaginaram repúblicas e principados que nunca foram vistos nem conhecidos como existentes na realidade; porque há tanta distância entre como se vive e como se deveria viver, que aquele que deixa o que se faz por aquilo que se deveria fazer aprende antes a arruinar-se do que a preservar-se. Assim, um homem que queira fazer profissão de bondade em tudo, é natural que se arruíne entre tantos que não são bons. Donde é necessário a um príncipe, querendo manter-se, aprender a poder não ser bom e a usar ou não usar disso conforme a necessidade."
(MAQUIAVEL, N. O Príncipe, cap. XV. Tradução de Maria Júlia Goldwasser. São Paulo: Martins Fontes.)
A partir do excerto e considerando a relação entre ética e política na filosofia de Maquiavel, especialmente no que se refere ao conceito de virtù , analise as afirmativas a seguir:
I.A virtù refere-se à capacidade do governante de agir de modo eficaz diante das circunstâncias, o que pode implicar o afastamento de padrões morais tradicionais.
II.A relação entre ética e política, em Maquiavel, indica uma autonomia da esfera política, na qual o critério de ação é a conservação do poder e da ordem do Estado.
III.A virtù está diretamente vinculada à moral cristã, sendo definida como a prática constante das virtudes como humildade, caridade e piedade.
IV.A virtù envolve a habilidade de lidar com a "fortuna", permitindo ao governante adaptar-se às contingências e agir estrategicamente.
Assinale a alternativa correta: 
A aversão ou o sentimento negativo que parcela considerável da sociedade nutre em relação à política pode ser explicado, sob a ótica da filosofia política, por uma de suas características intrínsecas. Esse fenômeno ocorre primordialmente porque: