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A pobreza, enquanto expressão multifacetada da questão social, não pode ser reduzida a uma mera carência material; ela envolve dimensões de privação de direitos, exclusão social e simbólica, demandando do Serviço Social uma abordagem multidimensional que articule a provisão de recursos com o fortalecimento da capacidade de agência dos indivíduos e coletivos.
A relação do Serviço Social com a questão social é intrínseca, contudo, a profissão tem se limitado a ser um mero instrumento de controle social das expressões da pobreza, sem desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento das suas causas estruturais, o que demonstra a falência do projeto ético-político em sua capacidade de transformação social.
A adoção do referencial teórico marxista no Serviço Social brasileiro, embora tenha propiciado uma análise crítica das expressões da 'questão social', incorreu no erro de subestimar a importância das dimensões culturais e subjetivas na conformação dos fenômenos sociais, limitando-se a uma interpretação economicista que negligencia a complexidade da intervenção profissional.
A 'questão social', em sua gênese e desenvolvimento no modo de produção capitalista, configura-se como um emaranhado de expressões da pauperização e da desigualdade, que, ao serem objetivadas em políticas sociais, perdem sua centralidade na luta de classes, tornando-se meros objetos de gerenciamento técnico-burocrático, desprovidos de potencial transformador da estrutura social.
A perspectiva da acumulação flexível, característica do capitalismo contemporâneo, impõe ao Serviço Social a reelaboração de sua instrumentalidade, exigindo não apenas a compreensão das novas configurações da 'questão social', mas também a construção de estratégias profissionais que transcendam a mera mediação de políticas focais, buscando incidir na desconstrução dos mecanismos estruturais de precarização da vida, ainda que o acesso universal a direitos sociais permaneça uma utopia na lógica do capital.