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A Rússia na contramão da História
No atual século, praticamente não há países que não sejam – com ou sem competência – governados por suas próprias gentes. E, após as guerras, é esperado que se retirem
os exércitos invasores. Foi o caso do Japão e da Alemanha.
Encerrou-se o ciclo, com cerca de 200 nações independentes. O que restou foram as travessuras imperialistas, mas
sem ocupação territorial permanente.
Porém há um país que anda na contramão da História.
Como o resto da Europa, a Rússia expandiu as suas fronteiras. Iam do Alasca até o Báltico e o Mar Negro. Após a
Segunda Guerra, foram anexados os países do Leste Europeu. Depois que os europeus voltaram para casa, a Rússia
continuou tomando a casa dos outros, ignorando o espírito
dos novos tempos.
Diante desse quadro, podemos ver a invasão da Ucrânia
como uma manifestação tardia de um estilo de colonialismo
que, por completo, o Ocidente já abandonou. Quando pensamos em tribos isoladas que ainda praticariam a escravidão,
caberia um relativismo nos nossos julgamentos? Podemos
condená-las? Não deveríamos também aceitar a Rússia,
com seus valores, apesar de desalinhados com o presente?
Não! Vivemos sob princípios disseminados em todas as
sociedades modernas. Somos herdeiros do iluminismo, incluindo a concepção de formas de governança, de direitos
e de valores cívicos. Queremos acreditar que essa foi uma
conquista irreversível.
Sendo assim, não há espaço para quaisquer transigências. A Rússia é um país que brilhou na literatura, na música,
nas artes visuais, nas ciências e nas tecnologias militares.
Teve ampla exposição às tradições da civilização ocidental.
Não há por que perdoá-la pelo atraso na sua cultura política.
É inaceitável que as suas lideranças ignorem essa herança e
proclamem uma visão obsoleta de dominação colonial.
(Cláudio de Moura Castro. https://www.estadao.com.br/opiniao, 06.04.2025.
Adaptado)