O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Proteger quem defende o ambiente
Brasil ocupa de novo o segundo lugar no ranking de
ambientalistas assassinados; é preciso celeridade da
Justiça em conflitos fundiários e na punição de
criminosos, além de garantia dos direitos dos povos
indígenas
Enquanto o Brasil arde em incêndios florestais, dados
mostram um cenário violento contra aqueles que
defendem o ambiente no país.
Segundo relatório da ONG britânica Global Witness,
divulgado no dia 9, o Brasil ficou em segundo lugar em
número de assassinatos de pessoas que atuam nesse
setor em 2023, com 25 mortos. No primeiro lugar
nefasto, a Colômbia contabilizou 79; no mundo, foram
196 - ou mais de um ativista morto a cada dois dias.
Mesmo com redução de 26% no Brasil em relação a
2022, não há o que celebrar. Pelo segundo ano
consecutivo, ocupamos a infame vice-liderança do
ranking . Quando considerada a série histórica, de 2012 a
2023, as primeiras colocações se repetem: a Colômbia
teve 461 mortos, e o Brasil, 401.
A América Latina foi a região com mais ambientalistas
mortos no ano passado - 85% do total.
Os fatores que mais contribuem para a estatística local
são os conflitos fundiários, que envolvem violações a
direitos de povos indígenas, comunidades tradicionais e
quilombolas, a exploração econômica da terra, por vezes
ilegal e contestada, e a fiscalização deficitária por parte
do Estado.
No mundo, 49% das mortes de defensores ambientais
em 2023 foram de indígenas (85) e afrodescendentes
(12).
Os números referentes ao Brasil no levantamento
internacional foram fornecidos pela Comissão Pastoral
da Terra (CPT), que monitora conflitos no campo.
De acordo com a entidade, os embates quebraram
recorde no Brasil em 2023, com 2.203 ocorrências.
Desse total, 1.724 se trataram de disputas por terra. Tal
número, possivelmente subnotificado, mostra que não é
só a letalidade que preocupa, mas também expulsões,
despejos, ameaças e destruição de bens.
Tampouco apenas ambientalistas vivem sob ameaça.
Jornalistas, por terem papel fundamental na busca dos
fatos em contextos de conflito, correm risco.
Na Amazônia, por exemplo, a ONG Instituto Vladimir
Herzog registrou 230 casos de violência contra
profissionais da imprensa nos últimos dez anos - entre
eles, 9 homicídios. Um dos mais brutais foram os
assassinatos do repórter britânico Dom Phillips e do
indigenista brasileiro Bruno Pereira em 2022.
Um país que pretende ser exemplo internacional no tema
ambiental tem o dever óbvio de conter a violência nesse
setor. É preciso celeridade e eficiência no sistema de
Justiça para resolver contendas fundiárias, respeitar os
direitos dos povos indígenas e punir no rigor da lei os
ataques contra ambientalistas.
Jornal Folha de São Paulo - 16/09/2024.
Sabe-se que as palavras em português podem ter
significados diferentes dependendo do contexto em que
são utilizadas. No segundo parágrafo de nosso texto, a
palavra "nefasto" significa