Leia o texto a seguir para responder a questão.
Todas as culturas têm refeições equivalentes
ao café, almoço e jantar?
Mais ou menos: as refeições podem ter
nomes diferentes, mas os horários se tornaram
basicamente iguais do século 19 para cá,
conforme as jornadas de trabalho no mundo todo
se uniformizaram.
Hoje, praticamente todas as pessoas do
mundo fazem três refeições por dia, ainda que
elas tenham nomes diferentes e, muitas vezes,
ingredientes irreconhecíveis para nós (vide os
ingleses, que comem linguiça, feijão e tomate no
café, ou o almoço ideal da culinária bengali, que
tem sete pratos).
Essa padronização global na rotina das
refeições deriva, em grande parte, da
uniformização dos horários de trabalho: as
jornadas de mais ou menos oito horas diárias,
com pausa para o almoço, tornam natural que se
coma antes, no meio e após o expediente.
O corpo normalmente começa a manifestar os
primeiros sinais de fome entre três e quatro horas
após a última refeição. Então, se você passar 16
horas acordado e comer a cada 4 horas, você vai
fazer quatro refeições diferentes.
Essa quarta refeição extraoficial, na
América Latina e no sul da Europa, costuma ser
um lanchinho vespertino entre almoço e jantar,
conhecido em espanhol como merienda (palavra
que ainda existe no português brasileiro, mas soa
um pouco datada).
Nem todo mundo na história humana
seguiu essa programação de refeições, é claro.
Populações de caçadores-coletores, por exemplo,
muitas vezes comiam quando sentiam fome, sem
um número certo de refeições diárias. Isso se
alinha com jornadas de trabalho irregulares e
menores que as nossas.
É evidente que havia uma variedade
muito maior de rotinas alimentares na
Antiguidade, quando as telecomunicações ainda
eram virtualmente inexistentes e não havia trocas
culturais em tempo real entre populações de
diferentes partes do mundo.
Segundo a historiadora da comida
Caroline Yeldham, os romanos antigos faziam só
uma grande refeição por dia, beliscando aqui e
ali, mas olhando feio para a ideia de café da
manhã. Esse banquete diário era um jantar que
começava particularmente cedo, no final da
tarde. Já os egípcios, de acordo com o livro Food
in the ancient world, de Joan P. Alcock, tomavam
café da manhã e só comiam de novo ao final do
dia, depois que tivessem terminado a jornada de
trabalho. A cerveja era importantíssima para a
nutrição de operários e agricultores ao longo do
dia, já que se trata de um líquido bem calórico.
ROSSINI, M. C. Todas as culturas têm refeições
equivalentes ao café, almoço e jantar? Revista
Superinteressante. Adaptado. Disponível em
. <https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/todas-asculturas-tem-refeicoes-equivalentes-ao-cafe-almoco-ejantar/>.