Leia o texto, para responder à questão.
Ensino distanciado
Especialistas em educação superior recomendam não
superestimar o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como ferramenta de avaliação qualitativa.
Em que pesem suas limitações, a prova traz indicações preocupantes, contudo, sobre a disseminação do ensino a distância (EAD).
Meros 2,3% dos cursos de graduação do gênero chegam
à nota máxima, 5, segundo o Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais (Inep). Na modalidade presencial,
são 6,2%. A diferença também se apresenta no contingente
enorme de cursos que nem mesmo alcançam a nota 3, mínimo exigido pelo MEC. Enquanto 30,9% dos presenciais ficam
nos escores 1 e 2, no universo EAD praticamente a metade
(47,8%) está no limbo.
Não seria o caso, só por esses números, de estigmatizar
o aprendizado em ambiente virtual. A pandemia de Covid-19
evidenciou ainda mais sua utilidade e forçou instituições a
desenvolver técnicas pedagógicas adequadas para o meio,
umas com mais sucesso que outras.
O ensino remoto pode e deve ser usado para baratear e
dar acesso à educação superior a quem de outro modo não a
teria, por falta de recursos ou impossibilidade de deslocamento.
Há indicações, porém, de que o desempenho mais baixo
do estudo a distância resulte de fatores que nada têm a ver
com a tecnologia. Os matriculados nesses cursos tendem a
ser mais velhos (só 16% têm menos de 24 anos, ante 49%
nos presenciais) e a trabalhar. São, portanto, pessoas menos familiarizadas com informática que ficaram defasadas
nos estudos e dispõem de menos tempo para aulas, textos
e exercícios.
Por fim, parece evidente que muitos estabelecimentos de
ensino superior recorrem ao EAD para cortar custos, sem se
preocupar com extrair do meio todo seu potencial. De 2019
para 2020, a modalidade deu um salto de 26%, para 2 milhões de matrículas novas.
É certo que isso se deveu à pandemia, mas agora é hora
de cuidar para que o EAD não contribua para reduzir a já insatisfatória qualidade do ensino superior brasileiro.
(Folha de S. Paulo. Editorial. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/09/
ensino-distanciado.shtml 13.09.2022. Adaptado)