Texto CG-1A1
Em 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas criou o
Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado
em 11 de fevereiro. Apesar de serem necessárias mais ações de
popularização do dia, a criação da data representa um importante
passo em direção à promoção da participação igualitária das
mulheres na ciência. Em todo o mundo, de acordo com dados da
ONU, as mulheres representam 33,3% de todos os pesquisadores,
porém apenas 12% dos membros das academias de ciências
nacionais são mulheres, e, entre os graduados em engenharia,
elas representam 28%.
A área da saúde segue em outra direção, especialmente
entre profissionais dos cuidados básicos. Nessa área, as mulheres
representam 70% do total e, apesar das dificuldades de se
dedicarem à pesquisa, elas lideraram o ranking dos cientistas que
buscaram resposta à pandemia, sendo este o diferencial que
queremos valorar e divulgar, inclusive buscando compreender
quais são essas dificuldades.
Em âmbito nacional, um estudo do IBGE apresentou essas
dificuldades imputadas às mulheres e evidencia que elas
perpassam todas as esferas da vida. O indicador “nível de
ocupação” apontou que, em 2019, entre as entrevistadas
mulheres com quinze anos de idade ou mais, 54,5% ocupavam
postos de trabalho no país, ao passo que, entre o grupo de
homens com a mesma faixa etária, 73,7% tinham ocupação.
Quando associamos esse indicador ao da maternidade, entre as
pessoas de 25 a 49 anos com filhos de até três anos de idade, o
nível de ocupação dos homens é superior ao das mulheres em
34,6%. Com relação a gênero e etnia, as mulheres pretas ou
pardas com crianças de até três anos de idade no domicílio
apresentaram os menores níveis de ocupação — menos de 50%
em 2019 —, ao passo que, entre as mulheres brancas, a
proporção foi de 62,6%.
Outro indicador relevante que se coloca como um desafio
para que mais mulheres se projetem na ciência é a representação
na política. Ainda no que se refere aos dados do IBGE, o Brasil,
em 2019, era o país da América do Sul com a menor proporção
de mulheres em mandato parlamentar na Câmara dos Deputados,
ocupando a 142.ª posição de um ranking com dados para 190
países. Considerando-se que as mulheres são a maioria da
população no país, 51,8% do total, a pouca representação na
política, sem dúvida, leva à negligência no encaminhamento das
pautas femininas.
Adicionalmente, se considerarmos a ausência de políticas
mais expressivas para a primeira infância e para o apoio ao
ingresso e à permanência de mulheres mães no ensino superior e
na pós-graduação, ou, ainda, o desmonte das políticas de bolsas
de pesquisa e das agências de fomento, é válido afirmar que há
urgência em promover a inserção das mulheres na política e em
posições de liderança nos setores público e privado, sobretudo se
o país quiser aumentar a presença das mulheres na ciência.
Nesse cenário, há duas direções a seguir. Primeiramente, é
preciso desmistificar a ciência. Nós, mulheres, temos capacidade
para estar em todas as áreas e ocupar todos os espaços, como as
cientistas da área da saúde evidenciaram durante a pandemia.
Depois, é urgente ampliar a representação nos espaços políticos
de poder.
Roberta Kelly França e Thaís Cavalcante Martins.
Elas na universidade: os desafios sociais e políticos. Internet: (comciais e políticos. Internet: <www.souciencia.unifesp.br> (com adaptações).