Texto para responder a questão.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para
trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república
escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta
nota era uma promessa de que todos os homens, sim, os
homens negros, como também os homens brancos, teriam
garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca
da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou
esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada,
a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um
cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”. Mas
nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível.
Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de
oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque,
um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de
liberdade e a segurança da justiça.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se
dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo
de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser
culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa
sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio.
Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de
dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso
criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e
novamente nós temos que subir às majestosas alturas da
reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não
devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas
brancas, muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos
pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino
deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a
liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade.
Nós não podemos caminhar sós. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da
brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto
nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não puderem
ter hospedagem nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não
puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar
que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos
satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a
retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se levantará e
viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os
homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho de que um dia, nas colinas vermelhas
da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos
dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar
junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho de que um dia, até mesmo o estado
de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado
em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho de que minhas quatro pequenas
crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão
julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Eu tenho um sonho hoje!
(Trecho do Discurso de Martin Luther King. 28/08/1963. Disponível em:
http://www.palmares.gov.br/sites/000/2/download/discursodemartinl
utherking.pdf. Adaptado.)