Pacto com a verdade
O termo fake news (notícias falsas) foi eleito a “palavra
do ano” em 2017 e, desde então, nos assombra
diariamente, sobretudo nos aplicativos de mensagens
e redes sociais. O alerta sobre o termo ganhou vulto
porque textos inverídicos sobre fatos e declarações que
nunca aconteceram foram – e ainda são – usados com
motivação política, sobretudo em ambientes polarizados.
A lógica seria dizer que o adversário fez ou disse algo
vexatório, por exemplo, e, com isso, fazer com que as
pessoas acreditem em algo que nunca ocorreu. Prática
condenável, antiética e perigosa, diante do vulto das
consequências que pode causar.
Mas imagine um cenário em que as fake news são tão
comuns que fazem com que as pessoas passem a duvidar
dos fatos reais. Um ambiente tão impregnado de notícias
falsas que leve as pessoas a ignorar, por exemplo,
ameaças iminentes. E reais. Foi o que aconteceu, na
quinta-feira, em Raposos, na Região Metropolitana de
Belo Horizonte, onde alertas sobre o transbordamento
do Rio das Velhas foram considerados “fake news” e
ignorados. No dia seguinte, um sexto dos moradores do
município estava desalojado por alagamento.
Entre mentiras e boatos disseminados ao longo dos
tempos, sempre atendendo aos mais variados interesses,
as fake news se destacam pelo grande feito de aniquilar
a própria realidade, estabelecendo uma nova, e fluida,
em seu lugar. Não por acaso, estudo da Universidade
Oxford aponta que as campanhas de desinformação
já chegaram a 70 países em 2019, muito comumente
associadas ao discurso de líderes autoritários. Afinal
de contas, quando a realidade é falseada, quem não
precisa de proteção?
Por definição, chamamos de notícia (news, em inglês)
informação a respeito de acontecimento novo, de
mudanças recentes em alguma situação, ou do estado
em que se encontra algo. Jornalisticamente falando,
a notícia exige apuração minuciosa junto a fontes
fidedignas, além do relato dos fatos presenciados
pelo repórter e complementos advindos de pesquisas
históricas ou científicas capazes de aprofundar ou
contextualizar o fato. Mentira é outra coisa.
Alguns especialistas em checagem de fatos já rechaçam
o uso do termo fake news. Em primeiro lugar, porque foi
cunhado pelo presidente norte-americano Donald Trump
para desqualificar o trabalho da imprensa. Em segundo
lugar, pela própria acepção do termo, que reúne palavras
contraditórias. Afinal, se são falsas, não são notícias.
Trata-se de mentiras ou boatos.
Em Minas, na última sexta-feira, a dificuldade em
distinguir mentira e verdade colocou vidas em risco. Nas
redes sociais, notícias com alertas antecipados de órgãos
reconhecidamente sérios como a Defesa Civil e o Instituto
Nacional de Meteorologia (Inmet) eram ironizados horas
antes da tempestade que deixou pelo menos 44 mortos
no estado. As manchetes de sábado e de domingo
mostraram que, em tempos de verdades “fluidas”, apoiar
o jornalismo é, acima de tudo, fortalecer o compromisso
com a informação de credibilidade. Estabelecer um pacto
com os que têm a verdade como missão.
Disponível em:<https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2020/01/27/ interna_opiniao,1117194/pacto-com-a-verdade.shtml>.
Acesso em: 29 jan. 2020
Leia os trechos a seguir para completar as lacunas com
palavras que estabeleçam a relação de sentido entre as
orações.
“Jornalisticamente falando, a notícia exige apuração
minuciosa junto a fontes fidedignas, além do relato
dos fatos presenciados pelo repórter e complementos
advindos de pesquisas históricas ou científicas capazes
de aprofundar ou contextualizar o fato, ______ mentira
é outra coisa.”
“As manchetes de sábado e de domingo mostraram que,
em tempos de verdades ‘fluidas’, apoiar o jornalismo
é, acima de tudo, fortalecer o compromisso com a
informação de credibilidade, ______ estabelecer um
pacto com os que têm a verdade como missão.”
Assinale a alternativa que completa correta e
respectivamente as lacunas anteriores.