Texto CB1A1-II
Historicamente, o meio ambiente tem sido tratado pela
economia apenas como a fonte de recursos e o local de destino
dos rejeitos do sistema econômico. Uma vez que não é preciso
que todo ser humano aja sobre o meio ambiente para obter os
materiais de que necessita, seu uso e seu consumo se fizeram de
forma despreocupada ao longo do tempo. No final do século
XVIII, a preocupação com a escassez começou a tomar forma
com os estudos de Malthus, o qual avaliou que, com a limitação
da quantidade de terra disponível para o plantio e com o contínuo
crescimento populacional, a disponibilidade de alimentos seria
restrita, vindo eventualmente a esgotar-se.
Com o acúmulo histórico da degradação das fontes
ambientais de recursos, compreendeu-se que a escassez não era
apenas um exercício teórico. Ela estava transformando-se em
realidade, e a preocupação com o valor do meio ambiente foi
lentamente inserida na teoria econômica.
Assim, nos anos mais recentes, problemas como a redução
da disponibilidade natural de recursos e a poluição passaram a
gerar custos que começaram a indicar que os recursos e serviços
ambientais, embora de livre acesso, não são, de forma alguma,
gratuitos, impondo gastos para sua reposição ou pela sua
degradação.
José Julio Ferraz de Campos Jr. Introdução à economia ambiental,
economia
ecológica e valoração econômica. Edição do Kindle (com adaptações).