FORMAÇÃO EM SAÚDE: CENÁRIO DE
INCERTEZAS?
O processo de formação da medicina tem
relação com as amplas mudanças
experimentadas pela profissão nas últimas
décadas, em função de avanços tecnológicos e
da maneira como o conhecimento é disseminado,
influenciando a formação, o mercado de trabalho,
a demanda por cursos e por profissionais e a
regulação do exercício profissional. O Brasil tem
um parque importante e consolidado de
instituições formadoras em saúde e forma um
contingente expressivo de pessoas, para um
mercado de trabalho bastante largo. No caso da
medicina, os 206 cursos em funcionamento no
país em 2012 foram responsáveis por mais de
16.000 concluintes, por exemplo. No entanto,
persiste o antigo problema da crônica
desigualdade na distribuição geográfica que, no
caso dos médicos, tem se acelerado em função
de determinadas circunstâncias econômicas e
sociais, como a globalização, a criação de um
mercado global para certas profissões, a
organização e estruturação de modelos técnicos
assistenciais, etc.
A Enfermagem, que tem no cuidado
integral ao ser humano, nas dimensões individual
e coletiva o cerne da profissão, tem agregado
cada vez mais uma diversidade de
conhecimentos, habilidades e atitudes para atuar
em áreas como a atenção, a gestão, o ensino, a
pesquisa, o controle social e as especialidades,
dentre outras, aumentando igualmente a
responsabilidade dos profissionais para com a
sociedade. Esta profissão teve um crescimento
exponencial na última década, fundamentalmente
a partir da abertura de escolas privadas. Essa
oferta educacional aparentemente excessiva,
sem planejamento e com queda da qualidade,
vem influenciando no rebaixamento de salários,
na ocorrência de subemprego, com
possibilidades de desemprego. Há indicações de
reconfiguração de currículos da enfermagem
voltados à formação de enfermeiros para atuarem
na mudança do modelo de atenção à saúde dos
indivíduos nos diferentes momentos do ciclo de
vida, da família e da sociedade.
Neste contexto, os processos formativos
vêm se transformando, em especial na
graduação, principalmente em decorrência dos
processos de expansão do ensino privado, com o
crescimento desordenado de escolas e cursos
em todo o Brasil. [...]
[...]
No entanto, o perfil demográfico,
epidemiológico e de necessidades assistenciais
da população, estão a requerer reorientações,
conforme instituído nas Diretrizes Curriculares
Nacionais, na formação para a promoção da
saúde e para o campo da saúde coletiva,
prioritariamente, para atuação nos determinantes
e condicionantes do processo saúde/doença.
[...]
Adaptado: Formação em Saúde: Problemas e Tendências I. Mario
Roberto Dal Poz, Thereza Cristina Varella, Maria Ruth dos Santos. – Rio
de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2015.