Texto para responder à questão.
Altruísmo em tempo de guerra
Com uma guerra a acontecer aqui tão perto, multiplicam-se as
iniciativas de ajuda ao povo ucraniano, seja através do seu
acolhimento, de ofertas de emprego ou do envio de donativos.
Comportamentos altruístas que muitos adultos evidenciam e que
deverão ser também potenciados nas crianças.
As pessoas altruístas sentem necessidade em ajudar os outros e
encontram, dessa forma, um significado para a sua vida. Deixamse afetar pelo sofrimento alheio e privilegiam as solicitações dos
outros, muitas vezes em detrimento dos seus próprios interesses.
Falamos, portanto, de uma característica que se relaciona com a
empatia, o respeito, a generosidade e o sentido de justiça.
Não sendo uma característica que todos evidenciam da mesma
forma, coloca-se então uma questão: como educar para o
altruísmo? E desde quando? Será possível educar as crianças
para que sejam mais altruístas e empáticas? De que forma?
Algumas sugestões para ajudar o seu filho a ser mais altruísta:
1. Dê o exemplo. As crianças aprendem sobretudo pela
observação dos pais e de outras figuras de referência, tendendo a
imitar esses mesmos comportamentos.
2. Aplique o altruísmo no dia a dia, na forma como se relaciona com os outros e com a criança, e nas menores coisas — e não
apenas em situações-limite como aquela que vivemos
atualmente.
3. Explique, com uma linguagem adequada à idade da criança, a
importância da entreajuda e da generosidade.
4. Ajude a criança a descentrar-se e a imaginar como seria estar
no lugar do outro. Como se sentiria? O que precisaria? Que tipo
de ajuda gostaria de receber?
5. Procure role-models que a criança admire, ou seja, pessoas ou
mesmo personagens de ficção que sejam um bom exemplo de
altruísmo e generosidade. Pode ser um atleta que interrompeu a
sua prova para ajudar outro atleta, um super-herói que dedica a
vida a salvar pessoas ou uma personagem dos desenhos
animados que gosta de ajudar os amigos.
6. Reforce positivamente qualquer comportamento de ajuda ao
outro, elogiando e mostrando o quanto se sente orgulhoso. O
reforço positivo aumenta a probabilidade de repetição do
comportamento.
7. Incentive a criança a ser um agente ativo e não um mero
espectador, passivo, da realidade à sua volta. Aquilo que ela faz
pode fazer toda a diferença na vida de alguém.
8. Evite rotular as pessoas como “boas” ou “más”, sendo certo
que esta dicotomia pode levar a generalizações abusivas e
desencorajar o comportamento altruísta.
Educar as crianças de modo a mostrarem comportamentos de
ajuda ao outro é o caminho para termos, amanhã, adultos mais
generosos e empáticos, com capacidade de descentração e de
privilegiarem a resolução dos conflitos de forma assertiva e sem
violência.
Educar as crianças para o altruísmo é o caminho para termos,
amanhã, adultos que procurem a paz e não a guerra.
Rute Agulhas Adaptado de Diário de Notícias (Lisboa), 03/03/2022.