Leia o texto a seguir para responder a questão.
MACUNAÍMA
Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma
cova cheia d’água.
E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram. O herói
depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova
e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele
buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que
andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira.
Quando o herói saiu do banho estava branco loiro e de olhos
azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria
capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos
Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão
do Sumé. Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói
e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra
todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo.
(...)
– Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se
e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifara toda a
água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo
e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos.
Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que
as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se
limpado na água santa.
(ANDRADE, Mário de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter - Vila Rica, 1992).