Texto CG1A1-I
Três características básicas nos distinguem dos outros
animais: o andar ereto, que deixou nossas mãos livres para
pegar e fabricar coisas; um cérebro superdesenvolvido, que
permitiu o domínio da natureza; e a linguagem articulada, que
possibilitou não só uma comunicação eficiente como também
o pensamento lógico e abstrato. Das três características, a
última representou nosso maior salto evolutivo, afinal nossos
antepassados tiveram habilidade manual e inteligência por
milhares de anos, mas somente a partir do momento em que
despontou a aptidão simbólica, primeiramente nas pinturas e
inscrições rupestres e depois com a invenção da escrita, a
espécie humana alçou-se de uma organização social tribal
para a civilização.
Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem
maior esforço, além de usarmos a linguagem no dia a dia da
forma mais corriqueira, não nos damos conta do grande
prodígio que é falar. A língua é não só um sofisticadíssimo
sistema de comunicação de nossos pensamentos e
sentimentos, mas sobretudo o instrumento que nos possibilita
ter consciência de nós mesmos e da realidade à nossa volta.
Apesar da importância crucial da linguagem em nossa
vida, o estudo da língua ficou durante séculos relegado a
segundo plano, resumindo-se a descrições pouco científicas
deste ou daquele idioma de maior prestígio.
Aldo Bizzocchi. O universo da linguagem: sobre a língua e as línguas.
São Paulo: Editora Contexto, 2021, p. 11-12 (com adaptações)
No texto CG1A1-I, em “resumindo-se a descrições pouco
científicas deste ou daquele idioma de maior prestígio” (último
período), a partícula “se” classifica-se como