Leia o texto para responder à questão.
Quando amor e amizade são construídos
pelo silêncio (Texto I)
Como crianças, que brincam sozinhas uma ao lado
da outra, casais ou amigos aprenderam, na
pandemia, novos modos de se aproximar.
“Quer ler em silêncio sentada ao meu lado no Riverside
Park?” Mandei essa mensagem para uma amiga numa tarde
de domingo, em julho. Eu estava exausta e apavorada com
a aproximação das últimas horas do fim de semana – mas
não queria ficar sozinha. “Vamos nos encontrar à uma hora?”,
escreveu ela de volta. Arrumei a mochila, animada para passar mais uma tarde sozinha e com uma amiga.
O termo ‘brincadeira paralela’ geralmente é usado quando crianças pequenas brincam de forma independente, lado
a lado, mas também pode ser uma maneira valiosa de pensar no relacionamento entre adultos. O envolvimento em
uma brincadeira paralela é parte importante de como a criança aprende a interagir com outras e tornar-se um ser social.
Pense em crianças construindo silenciosamente cada uma a
própria torre com blocos ou correndo pelo playground sem
realmente interagir. Não se envolvem, mas não estão brincando totalmente sozinhas.
Para os adultos, o que diferencia duas pessoas se ignorando na mesma sala e a brincadeira paralela é a base
segura que sustenta seu relacionamento, explicou o Dr. Amir
Levine, psiquiatra. “A brincadeira paralela é uma das marcas de um relacionamento seguro, mas tem de ser feita da
maneira certa. Se você sabe que a outra pessoa está disponível e que, se precisar, ela prestará atenção em você, isso
lhe dá segurança”, diz Levine.
Quando você não tem um relacionamento seguro, tentar
agir de forma independente do parceiro, enquanto compartilha o mesmo espaço, pode dar errado. A existência de brincadeiras paralelas em um relacionamento pode ser o termômetro de um relacionamento saudável.
Sierra Reed, estrategista social e criativa, comentou que
seus amigos mais próximos eram aqueles com quem ela
podia estar e não fazer nada. Ela pode trabalhar enquanto
um amigo cozinha, por exemplo. “São pessoas com quem
posso estar, sentir o amor e pensar: ‘Isso é perfeito’.”
“Durante a covid, não podíamos nos afastar com frequência das pessoas com quem convivemos. Embora eu não
ache que sempre precisamos de um tempo a sós, às vezes
precisamos ‘estar juntos, mas sem interação’.”
(Sophie Vershbow, The New York Times.
O Estado de S.Paulo, 23 de out.2021. Adaptado)
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