O fim do canudinho de plástico
Por Devorah Lev-Tov / Quinta-feira, 5 de Julho de 2018
Em 2015, um vídeo perturbador de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico
preso em sua narina viralizou, mudando a atitude de muitos espectadores quanto ao utensílio plástico tão
conveniente para muitos.
Mas, como pode o canudo plástico, um item insignificante utilizado brevemente antes de ser descartado,
causar tanto estrago? Primeiramente, ele consegue chegar facilmente aos oceanos devido a sua leveza.
Ao chegar lá, o canudo não se decompõe. Pelo contrário, ele se fragmenta lentamente em pedaços cada
vez menores, conhecidos como microplásticos, que são frequentemente confundidos com comida pelos
animais marinhos.
E, em segundo lugar, ele não pode ser reciclado. “Infelizmente, a maioria dos canudos plásticos são
leves demais para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’água
e, por fim, nos oceanos”, explica Dune Ives, diretor executivo da organização Lonely Whale. A ONG
viabilizou uma campanha de marketing de sucesso chamada “Strawless in Seattle” (ou “Sem Canudos em
Seattle”) em apoio à iniciativa “Strawless Ocean” (ou “Oceanos Sem Canudos”).
Nos Estados Unidos, milhões de canudos de plástico são descartados todos os dias. No Reino Unido,
estima-se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora anualmente. Hotéis são alguns dos
piores infratores: o Hilton Waikoloa Village, que se tornou o primeiro resort na ilha do Havaí a banir os
canudos plásticos no início deste ano, utilizou mais de 800 mil canudos em 2017.
Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar
em nossos oceanos. “Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado e
50% do plástico que utilizamos é de uso único e descartado imediatamente”, diz Tessa Hempson, gerente
de operações do Oceans Without Borders, uma nova fundação da empresa de safáris de luxo & Beyond.
“Um milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos são mortos anualmente pelo plástico nos
oceanos. 44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% das baleias e golfinhos, todas as espécies de
tartarugas, e uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentados com plástico dentro ou em
volta de seus corpos”.
Mas, agora, o próprio canudo plástico começou a finalmente se tornar uma espécie ameaçada, com
algumas cidades nos Estados Unidos (Seattle, em Washington; Miami Beach e Fort Myers Beach, na
Flórida; e Malibu, Davis e San Luis Obispo, na Califórnia) banindo seu uso, além de outros países que limitam
itens de plástico descartável, o que inclui os canudos. Belize, Taiwan e Inglaterra estão entre os mais
recentes países a proporem a proibição.
Mesmo ações individuais podem causar um impacto significativo no meio ambiente e influenciar a
indústria: a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes
Anantara e AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e
a AccorHotels estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último
ano.
Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou
até necessitam deles, como aqueles com deficiências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um
canudo, os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro
canudo retrátil reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter.
“A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um
canudo plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e
chef do Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação
de começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”.
Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta-ou-plastico/2018/07/ fim-canudinhoplastico-canudo-poluicao-oceano . Acesso em 14 de março de 2019.