O medo, em seu estado mais bruto, é um sentimento que
se assenta em circuitos neuronais tão antigos quanto os primeiros répteis da Terra. Existem evidências de que estruturas
extremamente primitivas na escala evolutiva do cérebro humano, presentes desde a época dos dinossauros, desempenham tarefas fundamentais em situações de risco, potencial
ou real. Apesar de estar na raiz biológica de vários distúrbios,
o medo é vital para nossa sobrevivência e, ainda assim, lidamos mal com ele. Desde cedo, o homem é manipulado por
seus temores.
Uma das fobias mais peculiares é o medo dos espelhos.
Na Inglaterra da era vitoriana, antes de um morto ser levado
ao cemitério, todos os espelhos eram cobertos com tecidos,
pois se acreditava que a alma da pessoa poderia ficar presa
nos espelhos.
O medo é pessoal e reflete a resposta do coração às inseguranças que cada um carrega dentro de si. Paradigmas
que sustentavam a sociedade em décadas anteriores estão
em crise: preocupações crescentes, solidão, desesperança,
ressentimentos, um mundo cada vez mais líquido onde amores / sentimentos escorrem por nossas mãos, intolerância e
agressividade nos parecem mais evidentes.
Quer gostemos ou não, a vida vai sempre seguindo. Uma
vida plenamente feliz é uma dádiva temporária, vale dizer,
não dura para sempre. E sim, às vezes, dói, é triste ou, outras vezes, é surpreendente. E quando a vida o machucar
(porque certamente irá), lembre-se da dor. A dor sempre tem
seu lado positivo. Significa que estamos fora da caverna. A
real tragédia da vida é os homens terem medo da luz. Diante
da fragilidade e da brevidade da vida, é preciso lembrar-se
da água: ela abre seu caminho e encontra seu rumo mesmo
diante de algum obstáculo. Talvez para ela fosse mais perigoso permanecer parada.
Ainda se está explorando o terreno movediço e desafiador do quebra-cabeça neuronal envolvido com os sentimentos e as emoções. Nada nos humilha mais do que a coragem
alheia. Aceitemos o medo, mas que ele não nos limite.
(Rafael Delsin. Os homens maus estão chegando. BE – Revista Bem-Estar,
10.07.2022. Adaptado)
A alternativa em que o pronome destacado pode ser colocado também depois do verbo é: