Texto para responder a questão.
Pelo mar fomos descobertos e a partir do mar e dos
rios consolidamos nossa independência e fixamos as
fronteiras ao norte, sul e a oeste; o que garantiu a
integridade do nosso território, com dimensões
continentais. Também pelo mar e rios, ao longo de nossa
história, nos defendemos das mais graves agressões à
soberania nacional.
Assim, entender a importância dos mares e rios exige
a absorção de conhecimentos e percepções que,
normalmente, deixam de estar à disposição de significativa
parte do Povo Brasileiro; porém, cada vez mais,
constatamos que é pela via marítima e hidrovias que
trafegamos os produtos e serviços essenciais à pátria.
O nosso Brasil, continental, guarda relação
inseparável com os espaços oceânicos e ribeirinhos, tanto
devido à sua origem como por dispor de imensas riquezas
que, seguramente, serão cada vez mais importantes para
o desenvolvimento de nosso País.
Em datas importantes, como o Dia Nacional da
Amazônia Azul, sempre devemos atentar para os
conselhos de Rui Barbosa: “...mas não basta admirar: é
preciso aprender e prosperar. O mar é o grande avisador.
Pô-lo Deus a bramir junto ao nosso sono, para nos pregar
que não durmamos. Por ora a sua proteção nos sorri,
antes de se trocar em severidade...”
Em decorrência da relevância dos fatos históricos que
nos associam ao mar e aos rios e da magnitude das
riquezas da Amazônia Azul, o Congresso Nacional, por
meio da Lei n°13.187, de 2015, instituiu o dia 16 de
novembro como “O Dia Nacional da Amazônia Azul”.
[...]
Tendo em vista as diretrizes da Convenção das
Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) e os
estudos geopolíticos voltados para os oceanos, a
“Oceanopolítica”, a Marinha do Brasil vem consolidando o
conceito político-estratégico “Amazônia Azul”, que insere
em posição decisiva os espaços oceânicos e ribeirinhos,
sobre os destinos do Povo Brasileiro e na dinâmica das
Relações Internacionais.[...]
O nosso território no mar é crucial na regulação do
clima, absorvendo e paulatinamente liberando imensas
quantidades de calor e processamento de nutrientes, por
meio de ciclos naturais, e contempla ampla gama de
serviços, reservas minerais e alimentos que beneficiam
grande parcela da nossa população.
Cabe ressaltar as vulnerabilidades estratégicas, como
as plataformas de exploração de petróleo e gás, usinas de
energia e a localização, próximas à costa, de instalações
sensíveis e de significativos centros populacionais e
industriais do Brasil. Destacam-se, entre muitos, o
complexo nuclear de Angra dos Reis e as mais
importantes cidades e as maiores empresas de nosso
País. Nos portos e terminais portuários circulam parcela
preponderante das riquezas nacionais, tais como granéis
sólidos e líquidos, contêineres e commodities de toda
ordem, como aquelas oriundas do agronegócio.
A relevância em proteger esse legado tem
direcionado a Marinha do Brasil na consecução dos seus
programas estratégicos, entre outros: Programa Nuclear
da Marinha, Programa de Desenvolvimento de
Submarinos, Programa de Construção das Corvetas
Classe Tamandaré e Obtenção da Capacidade Operacional Plena. Na atualidade, quando os desafios
alcançam crescente dinâmica e as ameaças ocorrem a
partir de cenários sempre complexos e multifacetados,
estarmos preparados para defender a Amazônia Azul
caracteriza condição imprescindível para que o País
preserve e amplie a sua prosperidade e exerça a sua
soberania, quando for necessário. Vale destacar que os
programas estratégicos da Marinha do Brasil possuem
forte sinergia com os setores acadêmicos, industriais e
empresariais.
[...]
Na ocasião em que comemoramos esta importante
data, plena de envolvimentos com o nosso passado e
basilar para um presente e futuro, devemos exaltar tão
valioso patrimônio; entretanto, cônscios das dimensões
que envolvem a Amazônia Azul: soberania nacional,
diplomática, econômica, ambiental, científica, tecnológica
e de inovação, relembramos, mais uma vez, as palavras
de Rui Barbosa: “...O mar é um curso de força e uma
escola de previdência. Todos os seus espetáculos são
lições: não os contemplemos frivolamente...”
“...Esquadras não se improvisam...”
BARBOSA JUNIOR, llques. ALTE ESQ. Dia Nacional da
Amazônia Azul. Disponível em:
<https://www.marinha.mil.br/content/dia-nacional-da-amazonia-azul>
- Acesso em 20 nov. 2017 - Com adaptações.