TEXTO II: O Menino e o Lobo (La Fontaine)

Um menino, pastor de ovelhas, havia ganho um apito para que
soprasse em caso de perigo. Como ele passava grande parte do dia nos
campos com seu rebanho de ovelhas, era necessário um meio de
comunicação, numa emergência.
Num dia calmo de sol, enquanto as ovelhas pastavam
tranquilamente, o menino resolveu soprar o apito só para verificar o que
aconteceria.
Ao ouvir o alarme, toda a aldeia correu pára salvá-lo do perigo
iminente. Mas não havia perigo. Estava tudo no mais completo sossego.
Só se ouviam os risos do pastorzinho, que achou aquela correria toda
muito engraçada.
Passados alguns dias, o menino soprou de novo o apito. E, de novo,
a aldeia toda veio em seu socorro. Mas só encontraram o pastorzinho
rindo às gargalhadas do susto que pregara.
Aconteceu, porém, de um enorme lobo faminto aparecer por aquela
pastagem. E antes de atacar o rebanho, resolveu perseguir o menino.
Este, mais do que rápido, soprou o apito. Como ninguém apareceu em
seu socorro, soprou mais uma vez. E outra mais. Em vão. Apesar de
ouvirem o apito desesperado, todos pensaram ser outra brincadeira de
pastorzinho.
Correndo para salvar a sua vida, o menino ainda teve tempo de
perceber que, na boca de um mentiroso, até a mais pura verdade parece
mentira.
A verdade é sempre o melhor caminho.
La Fontaine. Livro das Fábulas.

O texto é uma fábula e podemos identificar a moral na frase: “A verdade é sempre
o melhor caminho.” Assim, podemos afirmar que o autor quis: