O GOSTO DA SURPRESA
Betty Milan
Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo
com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de
viajar. Nem o trânsito, nem a fila do aeroporto, nem o
eventual desconforto do hotel são empecilhos neste
caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e
se entregar à cena que se descortina. Como, aliás, no
teatro.
O turista compra a viagem baseado nas garantias
que a agência de turismo oferece, mas se transporta em
busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos
mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso,
viver não", erroneamente atribuída a Fernando Pessoa,
já que data da Idade Média.
Agora, não é necessário se deslocar no espaço para
se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma
flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à
pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar
um monumento histórico.
Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar
sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade
natural da criança e que o adulto precisa conquistar,
suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se
deixando absorver por preocupações egocêntricas.
Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete
perfeitamente numa água tranquila.
O conectivo, retirado de frases dos dois primeiros parágrafos
do texto, que tem seu valor erroneamente indicado é: