Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro
Fernando Reinach, para responder à questão.
É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da
floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem
metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo
de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações
humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a
biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm
crescendo de maneira assustadora.
Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente
não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245
mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale
a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade
de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e
outros animais desaparecem.
A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas
regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e
gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento
no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o
excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem.
Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem
a multiplicação de organismos que consomem oxigênio
para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa
fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem
os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de
oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente
de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.
Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas
pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica.
Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos.
É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de
bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar
essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um
dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.
(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas
sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)