INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Esses dias, a vizinha veio me perguntar por que os bebês
andavam chorando tanto. Eu até assustei: “Quando?”
Ela disse: “Ah, eles têm chorado algumas vezes ao
dia”. Realmente, tiveram virose, dentinhos estavam
nascendo. Bebês choram, não é mesmo? Aqui em casa,
todo mundo sabe que choro tem que ser acalentado,
mas, por mais que a gente tente ao máximo acalmá-los,
tem hora que eles vão chorar, e a vizinha vai ter que
escutar.
Mas e quando é o primogênito, de quase quatro anos,
que chora? Recentemente, João ouviu a tradicional e
assustadora frase “Que coisa feia. Você é rapaz, homem
não chora”. A reação dele foi mais ou menos igual à
minha diante da pergunta da vizinha. Ele fez uma cara
de interrogação, mas continuou chorando, ainda bem.
Não que eu queria ver meu filho sofrendo, mas aqui
em casa ele pode e deve sim pôr pra fora sua mágoa,
sua raiva, seus sentimentos. E não tem isso de que só
menina pode chorar. Que absurdo!
Eu sempre gostei de chorar para extravasar emoções.
Para mim, é uma forma de consolo, de desabafo. E com
criança, seja menino ou menina, chorar tem o mesmo
sentido. É a forma natural do ser humano de reagir a uma
alegria extrema ou à dor, seja ela física ou emocional.
Mas por que, então, menino não pode chorar? Qual é
medo dos pais? Do filho se tornar uma pessoa fraca?
De parecer menina? De ser ou virar gay? Que coisa
mais machista e ultrapassada. Chorar é inerente ao ser
humano. É necessário e não define orientação sexual
de ninguém.
Quando a gente chora, põe para fora muita coisa que
poderia causar ou aumentar sofrimento. E quando se
trata de criança, o choro, inclusive, pode ser a forma
de ela expressar que algo errado está acontecendo,
um abuso sexual, por exemplo. E se a gente sufoca o
choro da criança, pode criar uma barreira intransponível
entre mãe / pai / responsáveis e filho. Ele pode deixar de
contar algo importante porque foi ensinado que chorar é
errado e feio.
Pois eu acredito que chorar é para os fortes. Não engula
seu choro nem o dos seus filhos!
Disponível em:<www.otempo.com.br/opiniao/criando-juntos/>. Acesso em: 27 nov. 2019 (Adaptado).