O ataque da desinformação
Sempre houve boatos e mentiras gerando desinformação
na sociedade. O fenômeno é antigo, mas os tempos atuais
trouxeram desafios em proporções e numa velocidade até há
pouco impensáveis.
A questão não é apenas a incrível capacidade de compartilhamento instantâneo, dada pelas redes sociais e os aplicativos de mensagem, o que é positivo, mas traz evidentes riscos.
Muitas vezes, uma informação é compartilhada milhares de
vezes antes mesmo de haver tempo hábil para a checagem
de sua veracidade. O desafio é também oriundo do avanço tecnológico das ferramentas de edição de vídeo, áudio e
imagem. Cada vez mais sofisticadas e, ao mesmo tempo, mais
baratas e acessíveis, elas são capazes de falsificar a realidade
de forma muito convincente.
Para debater esse atual cenário, a Associação Nacional
de Jornais (ANJ) promoveu o seminário “Desinformação:
Antídotos e Tendências”. Na abertura do evento, Marcelo
Rech, presidente da ANJ, lembrou que o vírus da desinformação não é difundido apenas por grupos ou indivíduos
extremistas. Também alguns governos têm se utilizado
dessa arma para desautorizar coberturas inconvenientes.
Tenta-se fazer com que apenas a informação oficial circule.
O diretor da organização Witness, Sam Gregory, falou
sobre as deepfakes e outras tecnologias que se valem da
inteligência artificial (IA) para criar vídeos, imagens e áudios
falsos. Houve um grande avanço tecnológico na área, o que
afeta diretamente a confiabilidade das informações na esfera
pública. O vídeo de um político fazendo determinada declaração pode ser inteiramente falso. Parece não haver limites
para as manipulações.
Diante desse cenário, que alguém poderia qualificar
como o “fim da verdade”, Sam Gregory desestimulou qualquer reação de pânico ou desespero, que seria precisamente o que os difusores da desinformação almejam. Para
Gregory, o caminho é melhorar a preparação das pessoas
e das instituições, ampliando a “alfabetização midiática” –
prover formação para que cada pessoa fique menos vulnerável às manipulações –, aperfeiçoando as ferramentas de
detecção de falsidades e aumentando a responsabilidade
das plataformas que disponibilizam esses conteúdos.
Há um consenso de que o atual cenário, mesmo com
todos os desafios, tem aspectos muito positivos, pois todos
os princípios norteadores do jornalismo, como o de independência, da liberdade de expressão e o de rigor na apuração,
têm sua importância reafirmada.
O caminho para combater a desinformação continua
sendo o mesmo: a informação de qualidade.
(O Estado de São Paulo. 19.10.2019. Adaptado)
Leia as frases elaboradas com base no texto.
•? A desinformação é uma tática contra coberturas inconvenientes, e alguns governos têm utilizado essa tática.
•? Há múltiplas informações circulando pelas redes sociais, por isso se exige bom senso das plataformas
para divulgar informações.
•?A adulteração da realidade hoje é fato corriqueiro, visto
que avanços tecnológicos infelizmente facilitam a adulteração da realidade.
De acordo com o emprego e a colocação dos pronomes
estabelecidos pela norma-padrão, os trechos destacados
podem ser substituídos por