Os possíveis impactos da crise com o Irã na luta de
Trump pela reeleição nos EUA
Anthony Zurcher Repórter da BBC para a América do
Norte
As consequências de longo prazo do aumento das
tensões entre EUA e Irã dependerão em grande parte da
resposta do país persa ao ataque e da intensidade de qualquer
conflito que venha a seguir.
Um dos resultados, nesse caso, pode ser a retirada dos
EUA do Iraque — que certamente seria celebrada por não-intervencionistas e lamentada por "falcões" linha-dura.
No curto prazo, no entanto, já existem algumas
implicações possíveis, tanto para as eleições primárias do
Partido Democrata, que começam em menos de um mês, quanto
para a disputa presidencial de novembro.
Presidindo em tempos de guerra?
Tradicionalmente, um presidente dos EUA às turras com
uma grande crise de política externa se beneficia, pelo menos a
curto prazo, de uma injeção de apoio público.
O apelo por "união em torno da bandeira" deu impulso
à popularidade de George H.W. Bush durante a Guerra do
Golfo de 1991. Seu filho, George W. Bush, viu sua aprovação
subir a níveis recordes nos dias após os ataques de 11 de
setembro de 2001 e o subsequente bombardeio do Afeganistão.
Mas esses foram engajamentos militares de peso.
Quando as apostas são mais baixas, os benefícios políticos
tangíveis — pelo menos em termos do que pode ser medido em
pesquisa — são mais difíceis de discernir.
Os índices de aprovação de Barack Obama não
mudaram durante a guerra aérea na Líbia, em 2011. Quando
Donald Trump disparou mísseis contra uma base aérea síria em
resposta ao uso de armas químicas por aquele país, houve
ligeiro aumento de sua popularidade, mas isso foi pouco mais
que um lampejo estatístico para alguém cuja aprovação tem
sido relativamente estável durante sua gestão.
A primeira pesquisa após a morte de Soleimani sugere
que o público está nitidamente dividido quanto ao tratamento
da situação por Trump — assim como esteve dividido sobre
tudo o que este presidente fez. Uma parte aprova a ação, outra,
semelhante numericamente, expressa a preocupação de que o
presidente não "tenha planejado suas ações com cuidado
suficiente".
No fim, exceto no caso de uma impressionante vitória
militar ou de uma luta sangrenta prolongada, o resultado sobre
a avaliação que os americanos fazem de Trump deverá ser
simplesmente mais do mesmo.
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Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51015551