A Ilha Fiscal
Localizada na baía de Guanabara, a ilha ganhou esse
nome pela necessidade do estabelecimento de um posto
alfandegário para o controle das mercadorias importadas e
exportadas pelo Rio de Janeiro, então capital do Império. Seu
primeiro nome foi Ilha dos Ratos.
O projeto do posto fiscal foi do engenheiro Adolpho Del
Vecchio e seguia alguns padrões do antigo estilo gótico.
A importância da edificação não se deve, porém, à sua existência funcional, mas ao último baile do Império, em 9 de
novembro de 1889, uma semana antes da proclamação da
República. A festa homenageava o Chile, representado pelos
oficiais do couraçado Almirante Cochrane, os quais visitavam
o país.
Cerca de 5 mil pessoas participaram do baile marcado
pela extravagância: a ilha foi enfeitada com balões venezianos, lanternas chinesas e vasos franceses. Os convidados
desciam dos barcos e eram recepcionados por moças fantasiadas de fadas e sereias.
Enquanto valsas e polcas alegravam os convidados, as iguarias eram servidas em pratos ornamentados
com flores e frutas exóticas, e os convidados consumiam
robustíssimo cardápio: 800 quilos de camarão, 1300 frangos,
500 perus, 64 faisões, 1200 latas de aspargos, 20 mil sanduíches, 14 mil sorvetes, além de litros de cerveja, champanhe e bebidas diversas.
Ao chegar, o imperador Pedro II teria tropeçado e quase
levado um tombo. Ao recompor-se, teria dito: “O monarca
escorregou, mas a monarquia não caiu”.
Não distante dali, os republicanos colocavam os últimos
pregos no caixão da monarquia moribunda.
(Texto baseado na obra de Márcio Cotrim.
Revista Língua Portuguesa, julho de 2014. Adaptado)
O sinal indicativo de crase está corretamente empregado
na alternativa: