Leia a crônica de Ivan Angelo para responder à questão.
Janelas e varandas
Varandas e janelas podem ser um campo interessante
para observação nas metrópoles. Contribuições pessoais de
moradores para a decoração da cidade. Espaços de expressão.
Vitrines individuais.
É da sacada do prédio que o morador da metrópole confere a paisagem, o tempo e a vida lá fora. Janelas separam o
íntimo e o público, mas algumas pessoas não se importam de
botar no espaço público um pouco do que é do íntimo.
Rede estendida já vi mais de uma vez, em exíguas
varandas, uma até com um homem em descuidada sesta.
Nostalgia do Nordeste? De algum sítio? De uma minivaranda
da Bela Vista1
, moça sentada de toalha nos ombros nus sob
um secador de cabelos daqueles de pé e capacete, lendo
revista. Casa dela ou salão de beleza improvisado? Em uma
janela que dá para o Minhocão2
, uma gaiola com passarinho.
Ave presidiária, condenada à feiura e ao barulho humanos.
Será que canta?
Nesses espaços “públicos”, os ricos diferenciam-se principalmente pelas plantas, alguns com verdadeiras florestas.
O povão ousa mais no pessoal. Como se fosse um quintal,
lá põe rede, casa de cachorro, fogão quebrado, poleiro
de papagaio, latão com planta, pendura bicicleta, monta
churrasqueira...
Mas, em certas ocasiões, como Natal e Copa do Mundo,
todos se igualam e botam luzes piscantes ou bandeiras.
É o que basta para pensarmos neles com uma distante
camaradagem – oi, oi, estou aqui, sou um ser humano e cuido
de um passarinho.
(VEJA SP, 05.10.2005. Adaptado)
1. Bela Vista: bairro paulistano.
2. Minhocão: famoso viaduto na cidade de São Paulo.
Assinale a alternativa em que o sinal indicativo de crase
foi empregado corretamente.