Uma das tarefas mais difíceis desta vida, por alguma razão ainda não explicada pela ciência, é
aprender uma das suas regras mais fáceis. A regra é a seguinte: certas coisas não se fazem. Não têm
nada a ver com o fato de serem permitidas ou não por lei. Também podem não ser, por si mesmas, boas
ou más, certas ou erradas. São apenas coisas que não se fazem. Por quê? Porque não se fazem, só por
isso – não por uma pessoa dotada de coeficientes médios de decência, consideração pelos outros e boa
educação. E quais são elas? Aí, se você não sabe, temos um problema. Ou se aprende isso antes dos 10
anos de idade ou não se aprende nunca. A língua inglesa tem uma expressão admirável a esse respeito:
“It’s not done”. Na tradução mais direta, quer dizer: “Não se faz” – e há todo um universo moral contido
nesse “não se faz”. É o que divide, no fundo, a qualidade interior dos seres humanos. Quem sabe
naturalmente o que não se deve fazer, sem ter de perguntar a cada meia hora se deve agir assim ou
assado, está no lado do bem. Quem não sabe está no lado escuro da força.
(GUZZO, J.R. Revista Veja, ed. 2644.)