Leia o texto para responder à questão.
Apostas contra depressão e fobias
A realidade virtual, conhecida pelo uso na indústria de
games, tem sido cada vez mais utilizada para recriar situações de trauma ou medo e, assim, permitir que o paciente
seja exposto a uma situação de risco, de forma controlada e
com auxílio profissional. Medo de avião, pavor de aranhas ou
insetos e fobia de lugares fechados são alguns dos problemas na mira.
Para isso, programadores de games têm sido contratados
por médicos e psicólogos para criar os cenários para pacientes
interagirem com as situações que os aterrorizam.
Em clínica especializada em realidade virtual, em São
Paulo, uma equipe de programadores trabalhou, com detalhamento impressionante, nas versões mais recentes das
experiências de imersão. No cenário de fobia de aranha, o
paciente não só observa o comportamento do animal como
pode interagir usando as próprias mãos, inseridas no cenário
por meio de um sensor. No cenário da fobia de avião, a imersão é ainda maior. Além dos óculos de realidade virtual, há
duas poltronas de avião posicionadas sobre uma plataforma
móvel que simula os vários momentos – decolagem, pouso
e turbulências.
Antes mesmo de “entrar” na aeronave, o paciente em
tratamento passa, dentro da experiência de realidade virtual,
por check-in, raios X e fila de embarque. Em todas as situações, ele tem os batimentos cardíacos e a respiração monitorados constantemente pela equipe de psicólogos.
Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, professor do
Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP)
e chefe da clínica, a abordagem é eficaz visto que trabalha
três dimensões: pensamento, emoção e comportamento.
“Para quem tem medo de avião, não adianta você só trazer
estatísticas.”
O especialista explica que, ainda que o paciente tenha
consciência de que aquela é uma simulação, o cérebro acaba
“sendo enganado”.
Já a realidade virtual aliada ao tratamento com choques
elétricos tem sido estudada para casos como os de dependência química, manias e compulsões. O tratamento com
choques elétricos no cérebro nada tem a ver com as terapias
obsoletas praticadas nos antigos manicômios.
Hoje, a corrente elétrica é usada em baixíssima intensidade, de forma não invasiva, para estimular ou inibir áreas do
cérebro afetadas por alguns transtornos. Estudos publicados
em renomadas revistas médicas já comprovaram a eficácia
do tratamento para pacientes com depressão grave que não
demonstravam uma boa resposta aos remédios. Nos últimos
anos, a técnica começou a ser estudada também para condições de dependência química, autismo, transtorno obsessivo-
-compulsivo e compulsão alimentar.
Para os especialistas, evidentemente tanto a realidade
virtual quanto a estimulação transcraniana são parte do
tratamento e precisam ser associadas a psicoterapias e a
medicações.
(Fabiana Cambricoli. O Estado de S. Paulo, 08.09.2019. Adaptado)
No primeiro parágrafo do texto, a expressão destacada
em – permitir que o paciente seja exposto a uma situação
de risco, de forma controlada – apresenta circunstância
adverbial de