Morte
Sou, em princípio, contra a pena de morte, mas admito
algumas exceções. Por exemplo: pessoas que contam
anedotas como se fossem experiências reais vividas por
elas e só no fim você descobre que é anedota. Estas
deviam ser fuziladas.
Todos os outros crimes puníveis com a pena capital, na
minha opinião, têm a ver, de alguma maneira, com
telefone.
Cadeira elétrica para as telefonistas que perguntam: "Da
onde?"
Forca para pessoas que estendem o polegar e o dedinho
ao lado da cabeça quando querem imitar um telefone.
Curiosamente, uma mímica desenvolvida há pouco.
Ninguém, misericordiosamente, tinha pensado nela antes,
embora o telefone, o polegar e o mindinho existam há
anos.
Garrote vil para os donos de telefone celular em geral e
garrote seguido de desmembramento para os donos de
telefone celular que gostam de falar no meio de multidões
e fazem questão de que todos saibam que se atrasou para
a reunião porque o furúnculo infeccionou.
Claro, a condenação só viria depois de um julgamento,
mas com o Aristides Junqueira na defesa.
(L. F. Veríssimo, "Morte", Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 22/12/1994.
Caderno Opinião, p. 11)