TEXTO I
Fumante ignora riscos do cigarro eletrônico
Alardeado como uma solução para quem quer parar de
fumar, o cigarro eletrônico é cada vez mais procurado
em Belo Horizonte, principalmente por jovens.
Mesmo proibido, é facilmente encontrado em lojas do
hipercentro, shoppings populares e até no Mercado
Central. O comércio dos “vapes”, como são conhecidos,
é vetado desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
A restrição se deve à ausência de dados científicos
sobre os produtos. Além da falta de informações, o risco
de causar doenças respiratórias e cânceres preocupa
especialistas. O assunto ganha ainda mais força nesta
quinta-feira (29), Dia Nacional de Combate ao Fumo.
“Essas composições têm glicerina, que pode causar
irritação nos brônquios, doença pulmonar obstrutiva
crônica, crise de asma e outros problemas. Os elementos
que dão sabor e odor ao vapor também podem ser
irritativos quando esquentados”, aponta o psiquiatra
Frederico Garcia, coordenador do Centro de Referência
em Drogas da UFMG.
Cânceres de pulmão, fígado e cabeça e pescoço também
são enfermidades que podem estar relacionadas ao uso,
explica a oncologista clínica do grupo Oncoclínicas,
Flávia Amaral Duarte. “O que a indústria divulga é que
não existe a combustão no cigarro eletrônico, mas a
vaporização. Porém, isso não significa ausência de
toxicidade, ou que os produtos não fazem mal”.
Nas alturas
O cigarro eletrônico pode ser encontrado sob diferentes
formas: tipo caneta, parecido com uma garrafinha e até
do tamanho de um cigarro convencional, mas achatado.
O preço varia de R$ 180 a R$ 600. O usuário ainda
precisa comprar as essências ou cartuchos vaporizáveis,
que podem ter ou não nicotina. Há opções com sabores,
como baunilha, chicletes e “cigarro branco”.
Débora (nome fictício), que trabalha em uma tabacaria
na Savassi, conta que começou a usar o produto há
quatro meses. “Não é fácil, porque a gente tem o vício
de estar com algo nas mãos e na boca, mas já reduzi
muito a quantidade de nicotina que fumo. Meu objetivo é
parar totalmente”, afirma.
Cigarro
O consumo de cigarro afeta o indivíduo em três
aspectos: o comportamental, com o ato de fumar,
o psicológico, com o prazer causado pela experiência,
e causando o vício orgânico. Para freá-los por completo,
o psiquiatra e professor da Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp), Dartiu Xavier da Silveira, que trabalha
com redução de danos há três décadas, explica que
opções como gomas de mascar e adesivos com nicotina
costumam ser mais eficazes e seguras.
“Eles até têm a substância, mas o que pega o tabagista é
o hábito, que continua com os vaporizadores. Seria bom
se a pessoa conseguisse ficar só no uso controlado e
esporádico, mas vemos que não é isso que ocorre. Pelo
contrário, ela pode até fumar mais e o produto é vendido
e estimulado como se fosse inócuo”, critica.
Legislação
A legislação federal proíbe a venda, a importação e a
propaganda de vaporizadores, além de acessórios e
refis. O descumprimento é punido com advertência,
multa, apreensão, interdição parcial ou total da loja e até
cancelamento de alvará. A vigilância sanitária de BH foi
procurada, por meio da Secretaria Municipal de Saúde,
que diz não fiscalizar a venda dos produtos. [...]
Disponível em:<http://twixar.me/8qM1> .
Acesso em: 30 set. 2019 (Adaptação).