“Querida Alice”, de Cris Casagrande
Por Anna Schermak
A Cris é uma jovem escritora que mora em Curitiba,
“Querida Alice” é sua primeira publicação e hoje nós vamos
conversar um pouco sobre ele e sobre a Alice, uma jovem
menina de 9 anos que protagoniza a história do infanto-juvenil
escrito por Cris.
A leitura me lembrou “Cartas de Amor aos Mortos”
pelo formato da narrativa, a nossa protagonista, que vive no
centro de Curitiba com a mãe, a tia, a prima e um cachorro
muito simpático, escreve cartas à outra Alice, mas esta, as das
histórias de Lewis Carroll. E o livro vai trazer com estas cartas
muitas referências para ligar as duas Alices com suas dúvidas
e questionamentos sinceros sobre a vida e os adultos.
Alice é uma menina doce, mas com muita
personalidade, durante o livro, eu até me questionava sobre a
sua idade, sabe quando olhamos aquela criança da família e
nos perguntamos “como pode, essa criança só tem 9 anos
mesmo?”, com ela é igual. Talvez por sua grande paixão pelos
livros, Alice é uma personagem de fácil identificação, até para
leitores mais velhos, ela prefere a companhia dos livros e dos
estudos algo que gera um pouco de preocupação em sua mãe.
Alice não é a pessoa mais popular do colégio, ela
trocaria facilmente a companhia das pessoas pela dos livros na
biblioteca e durante a leitura somos colocados a par de um
pouco de sua vida. Alice perdeu o pai e vive com a mãe que
ao decorrer da leitura começa a conhecer uma pessoa, a
resistência de Alice e a forma com que ela começa a lidar com
as coisas nos mostram seus principais medos e com eles
unidos com as dúvidas infantis, fazem muitas vezes o mundo
virar um monstro.
O livro também traz umas cenas interessantes com a
interação de Alice com a psicóloga, naturalizando esta
situação que às vezes pode ser assustadora para algumas
crianças. Alice tira de letra, mas é importante o fato de termos
esse cenário dentro de um livro mais juvenil. Muitas crianças
e adolescentes podem se sentir mais confortáveis se
identificando com uma personagem de um livro que conversa
com eles de uma forma mais próxima.
Cris acerta em vários pontos da história e é bonito ver
jovens escritoras começando a traçar seus caminhos na
literatura, porém em algumas partes achei que o livro se perde
em alguns detalhes que não são tão necessários, algo que pode
ser facilmente melhorado nos próximos livros para conseguir
segurar ainda mais os jovens leitores em seu livro.
Alice pode ser uma grande companheira para as
meninas e meninos que assim como ela, lidam com grandes
questões em suas mentes e precisam de uma ajuda para
respondê-las.
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