Uma pesquisa publicada recentemente revelou que os
casais que fazem sexo pelo menos uma vez por semana são
mais felizes com seu relacionamento que aqueles que o fazem
com menos frequência. A explicação vai além do romance. O
sexo aumenta a imunidade e o humor diminuindo os níveis de
stress. Chegar a um orgasmo estimula ainda mais esses
mecanismos, com a descarga de ocitocina e endorfina,
substâncias ligadas ao prazer e ao relaxamento. E, no entanto,
psicólogos e sexólogos tentam minimizar a relevância na
quantidade de sexo. Há uma ideia consensual: a frequência boa
é aquela em que os dois estão satisfeitos e ponto. Um casal pode
funcionar bem se fizer sexo três vezes por semana. Outros
combinam perfeitamente se as relações ocorrerem duas vezes
por mês. O problema acontece quando cada parte do casal
deseja uma rotina diferente – e daí surge a insatisfação.
Na equação da rotina sexual é preciso ter em mente
determinadas variáveis que mudam as regras do jogo. A principal
delas, fundamental: o tempo de relacionamento. Algumas
pesquisas já mostraram que o período da paixão e da conquista
acaba após cerca de dois anos, quando o fogo inaugural se
apaga. Depois desse tempo, é preciso aprender a conciliar
segurança e previsibilidade com o desejo. Essa conta nem
sempre fecha se não houver esforço das duas partes. E o que as
mulheres parecem desejar é a mudança dentro do quarto, a
chance de reacenderem a flama. Nas ruas, nas últimas décadas,
houve vitória parcial, e ela deve ser celebrada. No mercado de
trabalho, apesar de ainda existir um fosso, o salário da mulher
começa a se aproximar do recebido pelo homem. Movimentos
feministas espalham-se como necessidade, jogando na lata de
lixo da história polêmicas como a de Millôr Fernandes, que a certa
altura, no início dos anos 1970, escreveu que “o melhor
movimento feminino ainda é o dos quadris”. Há machismo, sim,
mas a sociedade tem anticorpos para debelá-lo.
Enfim, na ágora pública a mulher de hoje não é a de ontem,
e a lei está aí para defendê-la, para pô-la em pé de igualdade
com o homem, como deve ser. Contudo, na intimidade, salvo
exceções que confirmam a regra, as distâncias abissais
permanecem. Caducou uma indagação clássica e centenária do
pai da psicanálise, Sigmund Freud, repetida à exaustão, a ponto
de ter perdido completamente o sentido: “Afinal, o que quer uma
mulher?”. Quer – entre muitas outras vontades, como sempre
puderam querer os homens – mais sexo.
(Revista Veja, 05.06.2019. Adaptado).
Analise as frases abaixo.
“Há machismo, sim, mas a sociedade tem anticorpos para
‘debelá-lo’”.
“
Há uma ideia ‘consensual’...”
“Contudo, na intimidade, salvo exceções que confirmam a
regra, as distâncias ‘abissais’ permanecem”.
Assinale a alternativa cujos termos apresentem,
respectivamente, um sentido oposto ao das palavras acima
destacadas.