TEXTO 1
Ao entrarmos em contato com a música, zonas importantes
do corpo físico e psíquico são acionadas – os sentidos, as
emoções e a própria mente. Por meio da música, a criança
expressa emoções que não consegue materializar com
palavras.
Antes mesmo de nascer, o bebê já é capaz de ouvir. A
partir do quinto mês de gestação, ele ouve as batidas do
coração da mãe (além de todos os outros barulhos do
organismo) e reconhece a sua voz. É na fase fetal que se
forma a memória sonora das crianças, responsável por
preparar o vínculo entre mãe e filho depois do corte do
cordão umbilical.
Desde os tempos mais remotos, o homem percebeu todo
esse potencial. Usando os materiais que tinha à disposição
(pedras, ossos, madeiras, o próprio corpo e a voz), ele foi
combinando sons e silêncios das mais diversas maneiras.
A música possibilita o desenvolvimento intelectual e a
interação do indivíduo no ambiente social, contribuindo
diretamente para o desenvolvimento cognitivo, linguístico,
psicomotor e socioafetivo do aluno, independente de sua
faixa etária. Através dela é possível transmitir não somente
palavras, mas também sentimentos, ideias e ideais que
podem ganhar grandes repercussões didáticas se bem
direcionados.
A E I O U… dabliú, dabliú, na cartilha da Juju”: quem já
ouviu esse refrão na voz de Margareth Menezes nem
suspeita que tais palavras foram extraídas da marchinha de
carnaval composta em 1932 por Lamartine Babo e Noel
Rosa, na música “A.E.I.O.U – A Cartilha da Juju”. De
maneira bem-humorada, os autores mostram que, desde
aquela época, havia uma preocupação com o sistema
educacional no Brasil.
A ideia de representar o Brasil em música já era forte no
projeto modernista de Mário de Andrade e Villa-Lobos, nas
décadas de 1920-40, partindo do estudo do folclore para
chegar a uma representação de brasilidade na música de
concerto. Mas, a partir da década de 1950, quem assume a
missão de representar o Brasil em música são os
compositores populares, e o lugar que o folclore ocupava
antes como depósito de autenticidade e originalidade passa
a ser substituído pelo samba dos anos 20/30.
No ABC do Sertão, música composta por Luiz Gonzaga em
1953, o autor expressa o som autêntico do abecedário
usado pelo povo nordestino. Foi a maneira que ele
encontrou para homenagear e mostrar para o Sul que os
seus conterrâneos tinham uma forma genuína – e não
errada – de falar.
O Trenzinho do Caipira, uma composição de Heitor VillaLobos e parte integrante da peça Bachianas Brasileiras nº
2, é uma obra emblemática. A música se caracteriza por
imitar o movimento de uma locomotiva com os instrumentos
da orquestra. A melodia fez com que um dos nossos
maiores poetas, o Acadêmico Ferreira Gullar, entrasse “em
transe” (palavras dele), como se tivesse recebido um
“choque mágico”, resultando na composição de um
inspirado poema que se transformou na letra. Trata-se de
um belo exemplo (e resumo) de como a linguagem da
música, numa organização sistemática entre sons e
silêncios, é capaz de comunicar sensações que
ultrapassam nosso entendimento racional.
Arnaldo Niskier. Disponível em:
http://www.academia.org.br/artigos/linguagem-da-musica.
Acesso em 15/09/2019. Adaptado.
Assinale a alternativa na qual as formas verbais estão
corretamente conjugadas.