Feudalismo digital
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As redes sociais exploram nossas fraquezas mais íntimas, nossa vaidade, vontade de ser aceito, de ter
amigos, de ser relevante, o desafio de envelhecer com dignidade ou até da insuportável pressão de existir.
Postagens com mais curtidas aguçam nossos instintos como uma droga. Funciona assim: o indivíduo que
recebe uma recompensa tende a repetir seus atos para ganhar mais recompensas. Esse mecanismo da
psicologia comportamental opera no nível mais básico, como acontece até com ratos e cachorros.
As redes sociais coletam inúmeras informações sobre você – do que você gosta, desgosta, o que
comenta, com o que se enerva, suas expressões faciais – e transformam tudo numa base de dados de
números imensos, capazes de revelar tendências que podem ser usadas para influenciar. Por meio de
iscas, castigos, recompensas e vícios, pouco a pouco as pessoas vão sendo moldadas e influenciadas.
Essas informações acabam vendidas a terceiros para não só manipular o comportamento, como também
medir os resultados da manipulação (seja para anunciar produtos, seja para moldar opiniões ou fraudar a
democracia).
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A beleza da democracia é sua capacidade de utilizar a inteligência coletiva de um país para entender a
melhor maneira para seguir adiante. É preciso um conjunto de indivíduos pensantes, independentes, com
experiências de vida distintas.
Quando esse processo é infectado por manipulação em massa, perdemos a inteligência coletiva, o
potencial criativo e nos reduzimos a um feudalismo digital, inviabilizando o processo político.
(ANDRADE, Fernando Grostein. Revista Veja, ed. 2627.)