Leia com atenção o artigo abaixo, “O que é
inconsciente”, da psicanalista Carmelita Gomes
Rodrigues, para responder a questão.
(adaptado)
O inconsciente refere-se a conteúdos mentais/emocionais
não acessados pela razão, pela consciência. É composto de
memórias esquecidas, experiências reprimidas, percepções
subliminares, experiências afetivas, sensações e intuições. É
como um “espaço” psíquico que funciona como um “baú”
repleto de fantasias, desejos e emoções de difícil controle. (...)
O inconsciente se expressa, mas por meio de símbolos
e reações autônomas. Externaliza seus “alertas”, recados e
anseios autênticos de diferentes formas, inclusive por meio
dos sonhos (...). Também ocorrem expressões do inconsciente
por meio dos chistes (humor), atos falhos (comportamentos
inesperados), lapsos de linguagem, expressão artísticas
(desenhos, pinturas, modelagens, etc.) e associação livre
de ideias (fala livre sem crítica e sem preocupação com a
coerência).
São, ainda, exemplos concretos de expressões do
inconsciente: chamar uma pessoa pelo nome de outra; uma
palavra que escapa fora do contexto; comportamentos não
planejados ou fazer algo e depois não reconhecer o ato como
sendo ação própria. Após essas “escapadas” do inconsciente
as pessoas se questionam: “por que fiz isso?”, “por que disse
isso?”. Vazou do inconsciente! (...)
Por que um conteúdo é reprimido?
Por ser doloroso.
A dinâmica do psiquismo humano mobiliza, conduz o
organismo para a sobrevivência, recorrendo a artifícios que
evitem a “destruição” do ser. Os caminhos de sobrevivência
são os mais variados possíveis, inclusive a neurose, a psicose,
a negação e o “esquecimento”, entre muitos outros. Mas com
o decorrer do tempo, o recalque vai perdendo a eficiência e
os conteúdos começam a escapar, a se mostrar por meio dos
caminhos citados acima.
O ideal é livrar-se do sofrimento antes de chegar ao limite
de tolerância do psiquismo e do corpo. No processo analítico,
é possível recordar, reviver e elaborar a vivência traumática,
fazendo com que a pessoa esvazie o complexo e recupere a
autonomia de seu funcionamento.
(...) A doença não é inimiga, mas uma aliada da vida.
É o protesto do corpo, é como se ele estivesse dizendo:
“Chega! Eu não aguento mais (...)”. O corpo dá esse grito
de alerta por meio dos sintomas, das doenças. Alteração no
sono, ansiedade, medos, depressão, pânico são alguns dos
“protestos” do psiquismo via soma (corpo). É daí que vem o
termo somatizar. Ouça seu corpo! (...)