Ética para quê?
Essa é uma boa pergunta para quem pensa que está
apenas resolvendo um projeto de engenharia, conformando uma solução arquitetônica ou urdindo um
plano agronômico. Nisso que chamamos ato de ofício
tecnológico aplicamos conhecimento científico, modus
operandi, criatividade, observância das normas técnicas
e das exigências legais. E onde entra a tal da ética?
Em geral, os dicionários definem “ética” como um
sistema de julgamento de condutas humanas, apreciáveis segundo valores, notadamente os classificáveis em bem e mal. O Dicionário Houaiss traz estes
conceitos:
[…] estudo das finalidades últimas, ideais e em
alguns casos, transcendentes, que orientam
a ação humana para o máximo de harmonia,
universalidade, excelência ou perfectibilidade, o
que implica a superação de paixões e desejos
irrefletidos. Estudo dos fatores concretos (afetivos,
sociais etc.) que determinam a conduta humana
em geral, estando tal investigação voltada para a
consecução de objetivos pragmáticos e utilitários,
no interesse do indivíduo e da sociedade.
Quaisquer que sejam as formas de pensar, ....... preocupação é com a conduta dirigida ........ execução
de algo que seja considerado como bom ou mau.
É ....... ação produzindo resultados. Resultados sujeitos ....... juízo de valores. Somos dotados de uma
capacidade racional de optar, de escolher, de seguir
esta ou aquela via. Temos o livre-arbítrio. Somos juízes
prévios de nós mesmos.
Vejamos rapidamente uma metáfora para ....... melhor
compreensão deste diferencial de consciência existente entre dois agentes de transformação do meio: a
minhoca e o homem. É indubitável que as minhocas
agem sobre o meio transformando-o. Reconhecem
solos, fazem túneis, condicionam o ar de seus ninhos,
constroem abrigos para seus ovos, preveem tempestades e sismos, convertem matéria orgânica em
alimento e adubam o caminho por onde passam. São
dispositivos sensores sofisticados e admiráveis máquinas de cavar. Tudo isso também é possível de realização pelo homem tecnológico. Fazemos abrigos, meios
de transporte, manejamos o solo, produzimos alimento, modelamos matéria e energia, prospectamos
e controlamos as coisas ao nosso redor. A diferença é que a minhoca faz isso por instinto e nós profissionais
o fazemos por vontade, por arbítrio. A minhoca tem
em sua natureza o impulso de agir assim. Nós outros,
humanos, o fazemos para acrescentar algo de melhor
em nossa condição. A minhoca é um ser natural. Nós
somos seres éticos. Para as minhocas não há nem bem
nem mal. Apenas seguem seu curso natural. Então,
para que ética? Para fazermos exatamente aquilo que
fazemos, porém bem feito e para o bem de alguém.
Isso não é o bastante, mas já é um bom começo. Um
pouco também para nos diferenciarmos das minhocas
na nossa faina comum de mudar o mundo.
PUSCH. J. Ética e cultura profissional do engenheiro, do arquiteto e
do engenheiro agrônomo. Disponível em:<http://www.crea-pr.org.br/ws/wp-content/uploads/2016/12/caderno08.pdf[Adaptado]
Analise as frases abaixo, retiradas do último
parágrafo do texto:
1. É indubitável que as minhocas agem sobre o
meio transformando-o.
2. A diferença é que a minhoca faz isso por instinto e nós profissionais o fazemos por vontade, por arbítrio.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as
falsas ( F ) com relação às frases.
( ) Em 1, a palavra “indubitável” pode ser substituída por “incontestável”, sem prejuízo de
significado no texto.
( ) Em 1 e 2, o pronome oblíquo “o” funciona
como objeto direto e refere-se a “o meio” e
“isso”, respectivamente.
( ) Em 1 e 2, a conjunção “que” introduz oração
subordinada substantiva predicativa.
( ) Em 2, o pronome oblíquo “o” pode ser posposto ao verbo na forma “fazemo-lo”, sem
desvio da norma culta da língua escrita.
( ) Em 2, a palavra “arbítrio” pode ser substituída
por “coação”, sem prejuízo de significado no
texto.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.