Celulares, capitalismo e obsolescência programada
Algo como cinco bilhões de pessoas, em todo o
mundo, usarão um celular em 2020. Cada aparelho
é feito de muitos metais preciosos, sem os quais não
seriam possíveis vários de seus principais recursos tecnológicos. A mineração desses metais é uma atividade
que está na base da moderna economia global, mas
seu custo ambiental pode ser enorme, provavelmente
muito maior do que temos consciência.
Ferro, alumínio e cobre são os três metais mais comumente usados em seu celular: o ferro é utilizado nos
alto-falantes e microfones, e nas molduras de aço inoxidável; o alumínio é uma alternativa leve ao aço inoxidável, também usado na fabricação do forte vidro
das telas dos smartphones; e o cobre é utilizado na
fiação elétrica. Contudo, quando da extração desses
metais, enormes volumes de resíduos são produzidos,
podendo ocasionar catastróficos derramamentos. O
maior desastre já registrado ocorreu em novembro de
2015, quando o rompimento de uma barragem numa
mina de ferro em Minas Gerais, no Brasil, provocou o
derramamento de 62 milhões de metros cúbicos de
rejeitos ricos em ferro no Rio Doce. A lama inundou as
cidades locais e matou 19 pessoas, atravessando 650
km até alcançar o Oceano Atlântico, 17 dias depois.
Ouro e estanho também são comuns em celulares.
A mineração do ouro, usado nos celulares principalmente para fazer conectores e fios, além de ser uma
das principais causas do desmatamento da Amazônia,
gera resíduos altamente tóxicos que podem contaminar a água potável e os peixes, com sérias consequências para a saúde humana. O estanho é usado
como elemento para solda em eletrônica e o óxido de
índio-estanho é aplicado às telas de celulares como
um revestimento fino, que oferece a funcionalidade
de tela sensível ao toque. Os mares que circundam as
ilhas Bangka e Belitung, na Indonésia, fornecem cerca
de um terço do suprimento mundial, no entanto, a
dragagem em grande escala de areia rica em estanho
destruiu o precioso ecossistema de corais, e o declínio
da indústria pesqueira gerou problemas econômicos e
sociais no país.
O que torna seu celular inteligente? São os chamados
elementos de terras-raras – um grupo de 17 metais
que são extraídos principalmente na China, na Rússia
e na Austrália. Frequentemente apelidados de “metais
tecnológicos”, os terras-raras são fundamentais para o
design e a função dos smartphones. Talvez o exemplo
mais perturbador sobre o custo ambiental de nossa
sede por celulares seja o “lago mundial do lixo tecnológico” em Baotou, na China. Criado em 1958, esse
lago artificial recolhe o lodo tóxico das operações de
processamento de terras-raras.
Os valiosos metais usados na fabricação de celulares
são um recurso finito. Estimativas recentes indicam
que nos próximos 20 a 50 anos não teremos mais
alguns dos metais terras-raras – o que nos leva a pensar se ainda haverá celulares por aí. Reduzir o impacto
ambiental do seu uso exige que os fabricantes aumentem a vida útil dos produtos, tornem a reciclagem
mais direta e reduzam os impactos ambientais causados pela busca desses metais. Mas também nós, como
consumidores, precisamos considerar os celulares
menos como um objeto descartável e mais como um
recurso precioso, que carrega enorme peso ambiental.
BYRNE, P.; HUDSON-EDWARDS, K. Trad. I. Castilho. Disponível
em: https://outraspalavras.net/capa/celulares-obsolescenciaprogramada-e-sociedade-inviavel/
Acesso em 03/set/2018. [Adaptado]
Identifique se os tópicos a seguir estão em consonância com o texto 1, assinalando-os como verdadeiros ( V ) ou falsos ( F ).
( ) Destruição do ecossistema.
( ) Lugares altamente poluídos no planeta.
( ) Comercialização de rejeitos.
( ) Avanço tecnológico.
( ) Caráter infinito dos recursos naturais.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.